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Dicas para aumentar o valor da aposentadoria do INSS

Recentemente, foi revelado que mais de 21 milhões dos 35 milhões de benefícios pagos pelo INSS são correspondentes ao salário mínimo. Essa informação nos faz refletir sobre um ponto importante: quem quer ter uma aposentadoria mais tranquila precisa entender como funciona o cálculo dos benefícios e quais estratégias podem ajudar a aumentar esse valor no futuro.

Desde a Reforma da Previdência, que aconteceu em 2019, as regras mudaram bastante. Agora, o cálculo leva em conta toda a trajetória de contribuições do trabalhador. Isso significa que a regularidade e o valor das contribuições ao longo dos anos se tornaram ainda mais cruciais.

Como funciona o cálculo da aposentadoria atualmente

A Reforma trouxe mudanças significativas. Antes, era possível descartar alguns dos salários mais baixos na hora de calcular a média. Agora, todas as contribuições desde julho de 1994 são consideradas. O cálculo é feito assim:

  1. O INSS calcula a média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994.
  2. O segurado recebe inicialmente 60% dessa média.
  3. Para cada ano a mais de contribuição, há um acréscimo de 2%.

Regras para homens

Os homens têm algumas etapas específicas:

  • Recebem 60% da média ao completar 20 anos de contribuição.
  • A cada ano que ultrapassa esse período, ganham mais 2%. Por exemplo, um trabalhador com 30 anos de contribuição terá direito a 80% da média.

Regras para mulheres

As mulheres começam a ter acréscimos após 15 anos de contribuição. Isso significa que uma segurada que contribui por 30 anos pode ter um percentual maior do que alguém que contribuiu apenas o tempo mínimo exigido.

Por que a maioria dos aposentados recebe apenas o salário mínimo

Existem alguns motivos que explicam essa situação:

  • Contribuições sobre salários baixos: Muitos trabalhadores brasileiros passam boa parte da carreira recebendo perto do salário mínimo. Como o cálculo considera toda a trajetória, períodos com contribuições menores acabam puxando a média para baixo.

  • Períodos sem contribuição: Desemprego e informalidade também afetam o histórico previdenciário. Quando alguém deixa de contribuir por um tempo, isso diminui as chances de conseguir um percentual maior da média salarial.

  • Opção por planos simplificados: Muitos autônomos e microempreendedores escolhem modalidades com alíquotas mais baixas, o que garante economia agora, mas limita a aposentadoria futura.

Quanto é preciso contribuir para receber mais na aposentadoria

O valor da aposentadoria está diretamente ligado à média salarial ao longo dos anos. Por exemplo, se alguém deseja receber cerca de R$ 5.000 por mês ao se aposentar, precisaria construir uma média de aproximadamente R$ 6.250 durante a carreira, considerando um percentual de 80%.

Isso significa que, para ter um benefício acima do salário mínimo, as contribuições devem refletir rendimentos próximos desse valor ao longo da vida profissional.

O limite para trabalhadores com carteira assinada

É comum pensar que basta aumentar o desconto previdenciário no contracheque para melhorar a aposentadoria, mas isso não é possível. A legislação diz que a contribuição deve ser calculada com base no salário que realmente se recebe.

O que fazer quando o salário é inferior à meta desejada

Uma opção é contribuir como segurado facultativo ou contribuinte individual, desde que haja uma atividade que se encaixe. Nesses casos, é fundamental seguir as orientações do INSS para evitar problemas com pagamentos e contribuições que não serão aproveitadas no futuro. Antes de fazer qualquer recolhimento adicional, é sempre bom buscar orientação especializada ou consultar os canais oficiais da Previdência Social.

O impacto das alíquotas na aposentadoria

O tipo de contribuição escolhida também influencia diretamente o valor do benefício:

  • Contribuição de 5%: Usada por Microempreendedores Individuais (MEI) e segurados facultativos de baixa renda. Essa opção garante cobertura, mas limita a aposentadoria ao salário mínimo.

  • Contribuição de 11%: Destinada a contribuintes individuais em planos simplificados, também resulta em aposentadoria por idade limitada ao piso previdenciário.

  • Contribuição de 20%: Permite contribuir sobre rendimentos maiores e construir benefícios superiores ao salário mínimo, sendo geralmente a melhor escolha para quem deseja uma aposentadoria mais alta.

O que o MEI precisa fazer para receber mais que o salário mínimo

Os Microempreendedores Individuais têm uma situação particular. A contribuição no Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS) é de apenas 5% do salário mínimo. Por isso, quem permanece apenas nessa modalidade tende a receber o mínimo.

Complementação da contribuição

O MEI pode complementar sua contribuição para aumentar a base de cálculo. Essa estratégia ajuda a garantir benefícios acima do salário mínimo, mas é importante seguir o procedimento corretamente para evitar problemas no cadastro previdenciário.

A situação dos servidores públicos

Os servidores que estão no Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) seguem regras diferentes. Dependendo de quando ingressaram no serviço público e das regras de transição, o cálculo pode ser mais vantajoso. Contudo, as reformas também impactaram esses regimes, então o planejamento previdenciário é fundamental.

Como usar o simulador de aposentadoria do Meu INSS

Uma ferramenta muito útil para quem quer planejar o futuro financeiro é o simulador disponível no portal e aplicativo do Meu INSS.

O que o simulador mostra

Com ele, é possível visualizar:

  • Tempo de contribuição acumulado.
  • Regras de aposentadoria que se aplicam.
  • Estimativa da data de aposentadoria.
  • Valor aproximado do benefício.

Embora os resultados sejam apenas estimativas, eles ajudam a entender se você está no caminho certo para atingir sua meta de renda futura.

Como acessar

Para usar o simulador, basta acessar a plataforma do Meu INSS, fazer login com sua conta Gov.br, selecionar “Simular Aposentadoria” e conferir as informações do sistema.

Previdência privada pode complementar a renda

Mesmo quem contribui regularmente para o INSS pode se beneficiar de uma reserva complementar.

Vantagens da previdência privada

Alguns dos benefícios são:

  • Complementação da renda futura.
  • Maior flexibilidade de investimentos.
  • Possibilidade de planejamento sucessório.
  • Diversificação das fontes de renda na aposentadoria.

Outras alternativas

Além da previdência privada, muitos brasileiros também investem em:

  • Tesouro Direto.
  • Fundos de investimento.
  • Ações que pagam dividendos.
  • Fundos imobiliários.
  • Renda fixa.

Combinar INSS com investimentos particulares pode trazer mais segurança financeira na aposentadoria.

Planejamento antecipado faz diferença

Começar a planejar a aposentadoria cedo pode fazer toda a diferença. Quanto mais cedo um trabalhador se organizar, maiores serão as chances de conseguir um benefício acima do salário mínimo. Com as regras atuais, é essencial manter contribuições regulares e acompanhar o histórico previdenciário. Esperar os últimos anos de trabalho para tentar aumentar a aposentadoria não traz os mesmos resultados que antes da reforma.

Por isso, acompanhar o cadastro, usar o simulador do Meu INSS, corrigir inconsistências e buscar formas legais de aumentar a renda e as contribuições ao longo do tempo são passos importantes para quem sonha com uma aposentadoria mais confortável.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

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