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TCU determina que INSS altere análise automática

Recentemente, uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) levantou uma questão importante para milhões de brasileiros que dependem da Previdência Social. Isso inclui aposentados, trabalhadores prestes a se aposentar e aqueles que estão esperando por benefícios como pensão por morte, auxílio por incapacidade e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O uso de inteligência artificial para agilizar processos tem trazido avanços, mas também levantou preocupações sobre possíveis erros que podem resultar em negativas indevidas ou pagamentos menores do que o merecido.

O TCU analisou como o INSS está lidando com a concessão automática de benefícios e descobriu que muitos pedidos são analisados apenas por sistemas digitais. Quando há divergências nos dados, muitas vezes o segurado não tem a chance de apresentar documentos que poderiam esclarecer a situação. O sistema utiliza informações de várias fontes, como o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), mas muitas vezes esses dados não estão completos ou atualizados. Por exemplo, um trabalhador pode ter períodos de contribuição que não aparecem corretamente no sistema, o que pode resultar em uma negativa ou um benefício menor do que ele realmente teria direito.

### Mudanças Necessárias

Diante disso, o TCU estipulou um prazo de 180 dias para que o INSS, a Dataprev e o Ministério da Previdência Social façam as adaptações necessárias nos sistemas. Entre as mudanças esperadas está a criação de mecanismos que informem os segurados sobre possíveis pendências antes que o processo seja finalizado. O objetivo é equilibrar a rapidez que a tecnologia pode oferecer com a garantia de que as pessoas tenham acesso aos benefícios corretos e a chance de corrigir informações erradas.

### Como Funciona a Concessão Automática

Nos últimos anos, o INSS tem utilizado cada vez mais ferramentas digitais para agilizar a análise dos pedidos de benefícios. Isso permite que alguns deles sejam concedidos sem uma análise humana completa, desde que os dados atendam aos critérios exigidos. Essa automação é utilizada em diversos benefícios, como aposentadorias, pensões por morte e auxílio-reclusão. A ideia era reduzir o tempo de espera e diminuir a fila de pedidos, que, por sinal, já registrou uma queda significativa, chegando a cerca de 2,191 milhões de pedidos pendentes em maio, bem abaixo dos mais de 3 milhões registrados anteriormente.

### Preocupações com as Negativas Automáticas

No entanto, o TCU identificou que a automação ainda não atingiu os resultados esperados. Embora o INSS tenha uma meta de que 55% das concessões sejam feitas automaticamente até o final de 2025, esse número está próximo de 50%. Um dos problemas é que, segundo uma auditoria do TCU, cerca de 10% dos pedidos analisados automaticamente foram negados. Isso é preocupante porque, em muitos casos, o segurado não tem a chance de apresentar informações que poderiam mudar a decisão.

### Direitos do Segurado

Com as novas diretrizes, o INSS deve garantir que o cidadão seja informado quando houver alguma pendência que possa afetar o valor do benefício. Isso significa que, se houver alguma inconsistência no cadastro, o segurado será avisado e poderá fornecer documentos adicionais antes que a decisão final seja tomada. Além disso, o INSS deverá conceder imediatamente o valor que não está em discussão e revisar casos em que haja a possibilidade de um benefício mais vantajoso.

### A Importância do CNIS

O Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) é essencial na análise dos benefícios do INSS. Ele contém informações sobre empregos, salários e contribuições, e um erro nesse cadastro pode afetar diretamente o valor da aposentadoria ou de outros benefícios. Por isso, especialistas recomendam que os segurados acompanhem suas informações regularmente pelo aplicativo Meu INSS e solicitem correções quando necessário.

### O Meu INSS e seu Papel

Falando em tecnologia, o aplicativo Meu INSS se tornou a principal plataforma digital para serviços previdenciários. Com ele, é possível solicitar benefícios, consultar pagamentos e acompanhar processos. Esse aplicativo tem recebido milhões de acessos mensais e oferece uma gama de serviços aos cidadãos. Embora a modernização digital seja um avanço significativo, o TCU enfatiza que é vital que essa tecnologia venha acompanhada de segurança jurídica para proteger os direitos dos segurados.

### O Que Esperar

Para quem está pensando em solicitar aposentadoria ou algum benefício, a principal mudança será uma análise mais transparente. Isso significa que, antes de uma negativa, o cidadão terá mais oportunidades de corrigir problemas e comprovar informações. Isso pode ser especialmente importante em situações como o reconhecimento de períodos de trabalho que não constam no CNIS ou a atualização de contribuições antigas.

Esse movimento em direção a uma tecnologia mais responsável e justa tem o apoio de várias entidades relacionadas ao direito previdenciário. A ideia é que a tecnologia seja uma aliada no acesso aos direitos, sem comprometer as garantias que os segurados têm.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

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