Notícias

Fraude nas Americanas: PF impede bloqueio de R$ 54 bilhões

A Justiça Federal decidiu dar um passo importante nas investigações sobre as Americanas. Além de novos mandados de busca e apreensão, ela determinou o bloqueio de bens que pode chegar a impressionantes R$ 54 bilhões. Tudo isso surgiu após a detecção de inconsistências contábeis na empresa, em janeiro de 2023. Agora, as autoridades estão ampliando o foco e investigando se acionistas e representantes de instituições financeiras também tiveram algum papel no esquema.

Então, o que exatamente motivou essa nova operação? E quem são os investigados? Vamos entender melhor essa situação.

### Nova Fase da Operação Disclosure

A segunda fase da Operação Disclosure foi realizada pela Polícia Federal, com o suporte do Ministério Público Federal (MPF). Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em locais como Rio de Janeiro e São Paulo. Além disso, a 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro ordenou o sequestro de bens até o limite de R$ 54 bilhões. O objetivo é aprofundar as investigações e descobrir se mais pessoas estiveram envolvidas na fraude, além dos ex-executivos da companhia.

Entre os novos alvos estão acionistas da Americanas e representantes de bancos privados, além de indivíduos que atuaram como operadores financeiros. Nomes como Carlos Alberto da Veiga Sicupira, Paulo Alberto Lemann e Eduardo Saggioro Garcia foram mencionados. É importante lembrar que ser investigado não significa ser culpado. Todos têm o direito de se defender e os processos ainda estão em andamento.

### Por que o bloqueio de R$ 54 bilhões?

O bloqueio de bens é uma medida cautelar, ou seja, é uma forma de garantir que haja recursos disponíveis para compensar danos, caso os acusados sejam condenados. Esse valor foi definido com base em laudos técnicos que estimam que os prejuízos relacionados à fraude podem chegar a R$ 54 bilhões, um montante que supera as estimativas iniciais.

### Como funcionava a fraude?

A investigação indica que ex-executivos da Americanas manipulavam as demonstrações financeiras, apresentando uma realidade econômica melhor do que a verdadeira. Isso inflacionava os resultados financeiros e, consequentemente, as ações da empresa na bolsa, resultando em bônus milionários para os executivos envolvidos.

Um dos mecanismos investigados é o chamado “risco sacado”. Funciona assim: a empresa compra produtos de fornecedores e um banco paga esses fornecedores antecipadamente. Em vez de registrar essa nova dívida, algumas obrigações foram retiradas dos balanços, fazendo parecer que a empresa tinha menos dívidas do que realmente tinha. Isso distorcia a percepção de investidores e do mercado.

Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores são as verbas de propaganda cooperada (VPC), que são incentivos usados por fornecedores em campanhas publicitárias. A investigação aponta que parte dessas receitas foi registrada sem amparo econômico, aumentando artificialmente os lucros apresentados.

### Como tudo começou?

O escândalo veio à tona em 11 de janeiro de 2023, quando as Americanas informaram que haviam encontrado inconsistências contábeis que inicialmente eram estimadas em R$ 20 bilhões. Essa revelação teve um impacto enorme, com ações despencando e a empresa entrando com um pedido de recuperação judicial. Desde então, auditorias e investigações têm sido conduzidas.

### O que aconteceu na primeira fase da operação?

A primeira fase da Operação Disclosure ocorreu em junho de 2024, com mandados de prisão e busca contra ex-diretores da empresa, incluindo o ex-CEO Miguel Gutierrez, que foi preso na Espanha. Em março de 2025, o MPF denunciou 13 ex-executivos por diversos crimes, e esses processos ainda estão em trâmite na Justiça.

### O que os envolvidos disseram?

Os acionistas de referência da empresa afirmaram que foram pegos de surpresa pela operação e alegaram ter sido enganados pela antiga diretoria. Eles destacaram que estão colaborando com as investigações desde o início. A Americanas, por sua vez, informou que não foi alvo dos mandados desta nova fase, mas que continua colaborando com as autoridades.

### E a recuperação judicial?

Em março de 2026, a Americanas pediu o encerramento do processo de recuperação judicial, alegando que cumpriu todas as obrigações dentro do prazo. Contudo, isso não interfere nas investigações criminais que seguem em curso.

### O que vem a seguir?

Com essa nova fase da Operação Disclosure, as investigações estão se expandindo para outros possíveis envolvidos além da antiga diretoria. A Polícia Federal vai analisar o material apreendido, o que pode resultar em novas provas e, possivelmente, novas denúncias. Enquanto isso, o bloqueio de R$ 54 bilhões permanece para garantir que haja recursos disponíveis para reparação dos prejuízos, caso as acusações sejam confirmadas.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo