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Doenças que permitem aposentadoria sem carência

Muita gente se pergunta se ter uma doença grave garante automaticamente a aposentadoria por incapacidade permanente. A resposta é não. Embora algumas condições de saúde isentem o trabalhador da carência de contribuições, é preciso comprovar a incapacidade para o trabalho através de uma perícia médica. Essa diferença é importante para não criar expectativas irreais e para aumentar as chances de conseguir o benefício.

A aposentadoria por incapacidade permanente, que antes chamávamos de aposentadoria por invalidez, é um benefício do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele é destinado a segurados que não conseguem mais trabalhar de forma definitiva. A concessão desse benefício acontece quando a perícia médica determina que não há possibilidade de reabilitação profissional em outra função que se encaixe nas condições de saúde do trabalhador. Essa regra está na Lei nº 8.213/1991 e foi mantida após a Reforma da Previdência de 2019, com mudanças apenas na forma de calcular o valor a ser pago.

O que é carência no INSS?

Carência é o número mínimo de contribuições que o trabalhador precisa ter feito para acessar determinados benefícios previdenciários. No caso da aposentadoria por incapacidade permanente e do auxílio por incapacidade temporária, a regra geral é que sejam necessárias 12 contribuições mensais. Por exemplo, se uma pessoa começou a contribuir há apenas quatro meses e ficou doente, provavelmente não terá direito ao benefício. No entanto, quem tem doenças graves listadas na legislação pode ter acesso ao benefício mesmo sem ter completado esse tempo.

Quais doenças dispensam a carência do INSS?

A lista de doenças que dispensam a carência é definida pela Lei nº 8.213/1991 e atualizada de tempos em tempos. Algumas delas incluem:

  • Tuberculose ativa: uma infecção que pode afetar os pulmões e gerar incapacidade em casos mais sérios.
  • Hanseníase: pode causar lesões permanentes que afetam a capacidade de movimento.
  • Alienação mental: abrange transtornos mentais graves que afetam a autonomia do trabalhador.
  • Esclerose múltipla: uma doença autoimune que causa limitações motoras e cognitivas.
  • Câncer: todos os tipos podem dispensar a carência, desde que a incapacidade seja comprovada.
  • Cegueira: a perda total da visão pode garantir o benefício sem necessidade de carência.
  • Paralisia irreversível e incapacitante: condições que inviabilizam a mobilidade.
  • Cardiopatia grave: doenças cardíacas severas que afetam a qualidade de vida.
  • Doença de Parkinson: que causa problemas de movimento e coordenação.
  • Nefropatia grave e hepatopatia grave: doenças renais e hepáticas avançadas que comprometem o trabalho.
  • AVC: um acidente vascular que pode dispensar carência se resultar em incapacidade.

É importante lembrar que ter uma doença da lista não garante aposentadoria automática. O que a legislação faz é dispensar a carência de contribuições, mas o trabalhador ainda precisa comprovar que é segurado, que possui a doença e que está totalmente incapaz para o trabalho.

Quem perdeu a qualidade de segurado pode receber?

Isso depende. Mesmo isentando a carência, é preciso manter a qualidade de segurado ou seguir as regras para retornar ao sistema previdenciário. Se alguém deixou de contribuir e perdeu essa qualidade antes de ficar doente, pode ser necessário voltar a contribuir para recuperar os direitos.

Como solicitar o benefício?

O pedido pode ser feito pelo portal Meu INSS ou pelo aplicativo. O passo a passo é simples:

  1. Acesse o Meu INSS.
  2. Faça login com sua conta do Gov.br.
  3. Clique em “Pedir Benefício por Incapacidade”.
  4. Envie laudos, exames e relatórios médicos.
  5. Agende a perícia médica, se precisar.
  6. Acompanhe o andamento do pedido.

Quais documentos aumentam as chances de aprovação?

Documentação médica é crucial. Os principais documentos que podem ajudar incluem:

  • Relatórios médicos atualizados.
  • Exames laboratoriais e de imagem.
  • Receitas médicas.
  • Histórico de internações.
  • Laudos com o CID da doença.
  • Relatórios que descrevam limitações funcionais.

Quanto mais detalhadas forem as informações, maiores as chances de uma avaliação adequada na perícia.

E se o INSS negar o benefício?

A negativa não significa que você perdeu o direito de forma definitiva. É possível:

  • Apresentar um recurso administrativo ao Conselho de Recursos da Previdência Social.
  • Solicitar uma nova perícia, especialmente se houver agravamento da doença ou novos laudos médicos.
  • Buscar a via judicial, caso a decisão administrativa não seja favorável.

Diferença entre auxílio por incapacidade temporária e aposentadoria permanente

Uma mesma doença pode resultar em benefícios diferentes. Se há a possibilidade de recuperação, o INSS normalmente concede o auxílio por incapacidade temporária. Por outro lado, se a incapacidade for considerada definitiva e sem perspectiva de reabilitação, a aposentadoria por incapacidade permanente é a opção.

Entender essas nuances é fundamental para quem está passando por situações difíceis de saúde. Ter clareza sobre as regras e a documentação necessária pode fazer toda a diferença na hora de buscar os direitos previdenciários.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

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