Greve de ônibus no Rio chega ao segundo dia
Enquanto trabalhadores e empresas se preparam para uma audiência mediada pela Justiça do Trabalho, a população segue enfrentando desafios para se locomover pela cidade. O sindicato dos rodoviários está otimista quanto aos resultados da audiência, que acontece nesta terça-feira. Eles esperam que algo saia dela que possa pôr fim à paralisação.
Na manhã de hoje, o sindicato que representa as empresas de ônibus informou que cerca de 1.400 coletivos saíram das garagens. Isso é uma melhora em relação ao primeiro dia da greve, quando apenas 900 ônibus estavam nas ruas. No entanto, ainda está abaixo do que a Justiça havia determinado, que era a circulação de pelo menos 50% da frota, ou seja, cerca de 1.800 ônibus.
Essa redução na quantidade de ônibus em operação continua afetando diversos bairros da cidade, especialmente nos horários de pico. Os passageiros relatam longas esperas e ônibus lotados. No Terminal Gentileza, um ponto de integração importante, muitos usuários sentiram que a espera estava longa, mesmo com mais ônibus disponíveis em comparação ao dia anterior. Durante a madrugada, algumas linhas estavam operando com apenas um ônibus, que já saía cheio, forçando muitos a buscar alternativas, como aplicativos de transporte e caronas.
Para tentar aliviar a situação, o sistema BRT aumentou sua operação. A MOBI-Rio colocou 361 ônibus articulados em circulação, o que representa um aumento de 26% em relação ao primeiro dia da greve. Esses ônibus foram distribuídos pelos quatro corredores do sistema, tentando compensar a falta dos ônibus convencionais. Contudo, a eficiência do BRT ainda depende dos ônibus municipais, que transportam passageiros até as estações.
Enquanto os ônibus enfrentam dificuldades, outros meios de transporte, como trens, metrôs e barcas, continuam funcionando normalmente. Esses modais têm sido uma alternativa para algumas pessoas, mas nem todos conseguem usá-los devido à distância de suas casas até as estações.
A prefeitura, por sua vez, solicitou à Justiça que pelo menos 80% da frota de ônibus operasse durante a greve. O prefeito Eduardo Cavaliere destacou que no primeiro dia da paralisação a quantidade de ônibus em circulação foi muito abaixo do esperado, o que gerou transtornos significativos para a população. Ele afirmou que a função da prefeitura é monitorar o cumprimento das ordens judiciais, sem intervir diretamente nas negociações entre as partes.
Agora, todos os olhos estão voltados para a audiência de conciliação convocada pelo Tribunal Regional do Trabalho. Esse encontro reúne representantes do sindicato dos rodoviários e do sindicato das empresas para discutir o impasse. Após a audiência, os trabalhadores também se reunirão para avaliar os resultados das negociações. O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Sebastião José, espera que a reunião leve a uma proposta que atenda às demandas da categoria e permita o fim da greve.
Em um alívio para a situação, o segundo dia da greve não registrou casos de vandalismo, ao contrário do que aconteceu no primeiro dia, quando cerca de 50 ônibus foram danificados. A tranquilidade maior observada hoje pode ser um sinal de que a tensão está diminuindo.
O primeiro dia da greve foi marcado por longas filas e confusão. Muitos passageiros relataram esperar mais de duas horas por um ônibus e, em alguns casos, acabaram desistindo e optando por outros meios de transporte. O Terminal Alvorada, na Barra da Tijuca, foi um dos lugares onde a situação ficou mais tensa, com passageiros revoltados danificando grades e invadindo a pista exclusiva do BRT.
As negociações atuais giram em torno de uma pauta apresentada pelos rodoviários, que consideram a proposta das empresas insatisfatória. Entre as reivindicações estão o aumento salarial, com pedidos de R$ 5 mil para motoristas de ônibus articulados e R$ 4 mil para os demais. Eles também desejam mudar a data-base para 1º de março e a contratação dos motoristas do BRT sob o regime da CLT.
A proposta das empresas, segundo o sindicato dos trabalhadores, é considerada insuficiente. Os valores sugeridos incluem um reajuste que eleva o salário do motorista de ônibus convencional de R$ 3.420,16 para R$ 3.570,31, e do motorista de ônibus articulado de R$ 4.104,18 para R$ 4.284,35. O auxílio-alimentação também teria um pequeno aumento, passando de R$ 660 para R$ 689. As divergências entre as reivindicações dos trabalhadores e a proposta das empresas continuam a ser o principal obstáculo nas negociações.





