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Stablecoins lideram o mercado de criptomoedas no Brasil

O mercado de ativos digitais tem passado por um crescimento significativo, especialmente com a implementação de novas regras pela Receita Federal para aumentar a transparência nas operações. Essas mudanças visam alinhar o Brasil aos padrões internacionais de fiscalização, e isso é algo que impacta diretamente investidores, empresas e usuários de criptomoedas. Por isso, entender o papel das stablecoins se tornou essencial, já que elas estão desempenhando funções que vão muito além do simples investimento.

As stablecoins são criptomoedas projetadas para manter um valor mais estável. Diferente do Bitcoin, que pode ter grandes oscilações, as stablecoins geralmente são lastreadas em ativos como o dólar americano, o real brasileiro ou até mesmo títulos públicos. Isso ajuda a reduzir a volatilidade e permite que sejam usadas como meio de pagamento ou reserva temporária de valor, facilitando transações financeiras no mundo dos criptoativos.

O crescimento das stablecoins

Diversos fatores ajudam a explicar o crescimento das stablecoins. Um deles é a menor volatilidade. Como essas moedas estão atreladas a moedas tradicionais, elas oferecem maior previsibilidade, o que atrai investidores que querem se manter no mercado de criptomoedas sem a exposição a grandes flutuações de preço, como as vistas com ativos como Bitcoin e Ethereum.

Além disso, a facilidade nas negociações também é um ponto importante. Muitas operações entre criptomoedas utilizam as stablecoins como intermediárias, tornando as transações mais rápidas e reduzindo custos em diferentes plataformas. E como são amplamente aceitas em exchanges globais, elas ajudam a simplificar operações internacionais e transferências entre países.

O que revelam os dados da Receita Federal?

De acordo com a Receita Federal, entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, foram declarados cerca de R$ 1,58 trilhão em operações com criptoativos. Desses, aproximadamente R$ 1,13 trilhão foram relacionados a stablecoins. Nos últimos anos, essas moedas têm representado cerca de 80% do volume mensal negociado, chegando a superar 90% em alguns momentos. O crescimento foi especialmente acelerado após 2020, o que demonstra um amadurecimento do mercado.

A liderança da USDT

Quando falamos de stablecoins, a USDT (Tether) se destaca como a mais utilizada pelos brasileiros. Dados da Receita Federal indicam que ela representa cerca de 88,7% do volume de negociações de stablecoins entre 2019 e 2025, o que equivale a aproximadamente R$ 1 trilhão em operações. Outras stablecoins, como a USDC (USD Coin) e a BRZ, que é lastreada em real, também estão ganhando espaço, mas ainda estão longe da liderança da USDT.

Mudanças com a nova fiscalização

A partir de julho de 2026, o sistema DeCripto, criado pela Receita Federal, entrou em vigor. Essa iniciativa visa aumentar a transparência nas operações com ativos digitais, seguindo padrões internacionais. Com isso, prestadoras de serviços com criptoativos, incluindo aquelas que atendem brasileiros, terão que informar as operações realizadas por seus clientes. Isso deve ajudar no combate à lavagem de dinheiro e na identificação de movimentações suspeitas, fortalecendo a cooperação internacional entre administrações tributárias.

As stablecoins como investimentos

É importante notar que nem sempre as stablecoins são vistas como investimentos. Embora possam ser compradas e vendidas, seu principal objetivo não é gerar valorização. Muitos investidores as utilizam para proteger seus recursos em momentos de instabilidade, realizar transferências internacionais, negociar outras criptomoedas ou manter liquidez nas plataformas de negociação. Assim, elas têm um papel diferente de ativos como Bitcoin e Ethereum.

Riscos associados

Apesar de sua menor volatilidade, as stablecoins também apresentam riscos. Um deles é a necessidade de verificar se a emissora mantém reservas suficientes para garantir a paridade prometida. Além disso, mudanças nas regras regulatórias podem impactar seu funcionamento, e a segurança digital é outra preocupação, já que existe o risco de golpes e ataques cibernéticos. Por isso, especialistas sempre recomendam o uso de plataformas reconhecidas e a adoção de boas práticas de segurança.

O impacto no mercado brasileiro

O crescimento das stablecoins reflete um amadurecimento do ecossistema de ativos digitais no Brasil. Em vez de apenas especular, muitos investidores estão utilizando essas moedas como instrumentos de liquidez e proteção contra flutuações no mercado. A nova fiscalização também promete aumentar a transparência, o que pode fortalecer a confiança dos investidores e aproximar o Brasil de padrões internacionais.

As stablecoins já se consolidaram como a principal categoria de criptoativos entre os brasileiros, e os dados da Receita Federal mostram que elas representam uma parcela significativa das operações com criptomoedas. Com a implementação do DeCripto e a adoção de padrões internacionais, o mercado deve operar em um ambiente mais regulado e transparente. Para os investidores, acompanhar essas mudanças se torna cada vez mais importante à medida que o mercado evolui.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

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