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Aposentadoria por coluna: conheça as regras do INSS

Muitas vezes, o trabalhador enfrenta um afastamento temporário, buscando tratamento médico enquanto tenta voltar à rotina de trabalho. Mas, se a condição se agrava e impede que ele exerça qualquer atividade profissional, a aposentadoria por incapacidade permanente pode se tornar uma opção. Esse benefício, que antes era conhecido como aposentadoria por invalidez, passou a ter esse novo nome após a Reforma da Previdência, com a Emenda Constitucional 103/2019. O foco continua o mesmo: oferecer uma proteção financeira para quem não consegue mais trabalhar e não tem chances de reabilitação.

É importante lembrar que ter uma doença na coluna não garante, automaticamente, a aposentadoria pelo INSS. O que realmente conta é a análise da incapacidade funcional, feita pelos peritos federais. Ou seja, cada caso é examinado com atenção aos detalhes que podem variar de uma pessoa para outra.

Como o INSS avalia problemas na coluna?

Quando se trata de problemas na coluna, o INSS não olha apenas para o diagnóstico, mas sim para como essa condição impacta a vida profissional do segurado. Um exemplo claro disso pode ser visto em casos de hérnia de disco. Uma pessoa pode ter essa condição e continuar trabalhando normalmente após o tratamento, enquanto outra pode sofrer de dores intensas e limitações que a impeçam de realizar suas atividades diárias.

Os fatores que os peritos consideram incluem:

  • Gravidade da doença: Quanto mais severa, maior a probabilidade de incapacidade.
  • Limitações físicas: O que a pessoa consegue ou não fazer.
  • Histórico profissional: Experiências de trabalho anteriores.
  • Idade: Quanto mais velha, mais difícil pode ser a adaptação.
  • Escolaridade: Níveis de educação podem influenciar nas opções de reabilitação.
  • Possibilidade de adaptação: Se é viável ou não mudar de função.

A ideia central aqui é determinar se a incapacidade é total e permanente. Se houver chance de reabilitação, o INSS pode sugerir um programa de readaptação em vez de conceder a aposentadoria.

Quais doenças da coluna podem levar à aposentadoria?

Não existe uma lista fixa de doenças que garantam aposentadoria. O que realmente importa é a incapacidade que a doença provoca. No entanto, algumas condições aparecem com frequência nos pedidos ao INSS, como:

Hérnia de disco

Esse é um dos problemas mais comuns. Ocorre quando um disco entre as vértebras se desgasta ou se rompe, podendo pressionar nervos. Dependendo da gravidade, pode causar dores intensas, formigamento, perda de sensibilidade e dificuldade para se mover. Se a condição é grave e não responde ao tratamento, pode resultar em incapacidade permanente.

Espondilite anquilosante

Essa é uma doença inflamatória crônica que afeta principalmente a coluna. Com o tempo, pode levar a uma rigidez nas articulações, reduzindo significativamente a mobilidade. Em casos avançados, a perda de autonomia para realizar tarefas profissionais pode ser um fator decisivo na avaliação médica.

Osteofitose ou “bico de papagaio”

Esse problema acontece quando pequenas estruturas ósseas se formam nas vértebras devido ao desgaste. Embora comum com o envelhecimento, em estágios avançados pode causar dor constante, limitação de movimentos e até compressão nervosa. O impacto varia de acordo com o tipo de trabalho que a pessoa realiza.

Requisitos para a aposentadoria por incapacidade permanente

O INSS exige que algumas condições sejam atendidas antes de liberar o benefício:

  • Qualidade de segurado: É essencial que o trabalhador esteja coberto pela Previdência Social no momento em que a incapacidade se manifestou, seja por meio de contribuições recentes ou um vínculo empregatício ativo.

  • Carência mínima: Geralmente, exige-se que a pessoa tenha pelo menos 12 contribuições antes de ficar incapacitada, mas há exceções, como em casos de acidentes ou doenças graves.

  • Comprovaçã da incapacidade permanente: O perito deve confirmar que a pessoa não consegue voltar ao trabalho atual nem se reabilitar para outra função. Apenas ter dores ou alterações em exames não garante o benefício.

Doença da coluna e direitos

Se a lesão na coluna está relacionada ao trabalho, o trabalhador pode ter direitos diferentes. É necessário demonstrar um nexo causal, que é a ligação entre a atividade profissional e a doença. Algumas situações que podem levar a problemas ocupacionais incluem:

  • Levantamento frequente de peso;
  • Posturas inadequadas por longos períodos;
  • Falta de ergonomia;
  • Movimentos repetitivos;
  • Jornadas longas sem pausas.

A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) é um documento crucial para formalizar essa relação. Caso a empresa não emita, o trabalhador, sindicato ou profissional de saúde pode registrá-la.

Documentos para a perícia do INSS

A documentação médica é fundamental nesse processo. O segurado deve apresentar provas que mostrem a evolução da doença e suas limitações. Alguns dos documentos mais relevantes incluem:

  • Laudos médicos atualizados;
  • Exames de imagem, como ressonâncias magnéticas;
  • Relatórios de fisioterapia;
  • Receitas de medicamentos;
  • Histórico de tratamentos realizados.

Um laudo bem elaborado deve explicar como a doença impede a pessoa de trabalhar, com detalhes sobre perda de mobilidade e outras limitações.

Cálculo do valor da aposentadoria após a Reforma

Com a Reforma da Previdência, a forma como o valor do benefício é calculado mudou. Agora, considera-se a média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994. O cálculo inicial é de 60% dessa média, aumentando conforme o tempo de contribuição. Para os homens, há um acréscimo de 2% ao ano após 20 anos, e para as mulheres, após 15 anos.

Em casos de incapacidade decorrente de acidente de trabalho ou doença ocupacional, o cálculo pode considerar 100% da média contributiva. Portanto, comprovar essa relação pode fazer uma grande diferença no valor recebido.

Adicional de 25% para aposentados

Sim, quem recebe aposentadoria por incapacidade permanente e precisa de ajuda constante de outra pessoa pode solicitar um adicional de 25%. Esse valor extra é destinado a auxiliar nas despesas com cuidadores ou para compensar familiares que oferecem suporte. O pedido pode ser feito pelo Meu INSS e requer uma nova avaliação para confirmar a necessidade de assistência permanente.

Como solicitar a aposentadoria por incapacidade permanente

O primeiro passo é solicitar o benefício pelo sistema do INSS. O processo envolve:

  1. Acessar o Meu INSS;
  2. Solicitar o benefício por incapacidade;
  3. Agendar a perícia médica;
  4. Apresentar a documentação necessária;
  5. Aguardar a decisão.

Durante a avaliação, é fundamental explicar claramente as limitações e apresentar todos os documentos disponíveis.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

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