Brasil sem fome forma agentes em todo o país
A iniciativa em questão destaca a importância do governo federal na conexão de diferentes sistemas públicos, visando uma integração de dados mais eficaz e um trabalho coordenado nos territórios. É um passo significativo para garantir que as políticas públicas cheguem de forma mais eficiente àqueles que mais precisam.
### O que é o Protocolo Brasil Sem Fome?
O Protocolo Brasil Sem Fome é uma ferramenta que organiza as ações de três estruturas importantes do Estado: o Sistema Único de Saúde (SUS), o Sistema Único de Assistência Social (SUAS) e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Sisan). Ele estabelece procedimentos claros e responsabilidades, criando um fluxo integrado que facilita o atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade alimentar.
A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, Valéria Burity, explica que a grande sacada do protocolo é a sua metodologia estruturada. Para identificar as famílias que enfrentam insegurança alimentar, é utilizada a Triagem para Risco de Insegurança Alimentar (Tria), que acontece dentro do SUS.
### Como funciona a Triagem pelo SUS?
A Triagem é realizada nas unidades de saúde, principalmente nas de atenção primária. Profissionais do SUS fazem perguntas padronizadas para avaliar se a família tem dificuldades em acessar alimentos de forma regular e suficiente. Esse processo é crucial para identificar rapidamente quem precisa de ajuda.
Um aspecto central dessa estratégia é o cruzamento das informações da Triagem com o Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico). Esse cadastro reúne dados socioeconômicos de famílias de baixa renda no Brasil. Quando o sistema detecta uma família em risco e que ainda não está inserida em programas de apoio, o protocolo permite a priorização no acesso a benefícios sociais e a integração com ações de segurança alimentar.
### Brasil fora do Mapa da Fome
Recentemente, o Brasil saiu do Mapa da Fome da FAO, o que significa que menos de 2,5% da população enfrenta subalimentação crônica. Embora essa mudança indique melhorias, ainda existem grupos que permanecem invisíveis nas estatísticas, como aquelas em áreas periféricas e comunidades rurais isoladas. O Protocolo Brasil Sem Fome atua para localizar essas pessoas e garantir que recebam a assistência necessária.
### Estrutura do Curso de Formação
O MDS promoveu uma capacitação de três dias para agentes que trabalham na implementação do protocolo. No primeiro dia, foram abordados os fundamentos e instrumentos do Sisan, o papel da participação social e o funcionamento da Tria no SUS. O objetivo aqui foi alinhar conceitos e padronizar procedimentos.
No segundo dia, os participantes conheceram programas federais que podem ser acionados após a identificação do risco alimentar e discutiram estratégias para trabalhar com famílias vulneráveis. Uma ferramenta interessante apresentada foi a Cartografia de Respostas Locais, que mapeia serviços disponíveis em cada território, como restaurantes populares e bancos de alimentos.
Por fim, o terceiro dia focou na construção de um fluxo de atendimento integrado, com estratégias de priorização e integração entre SUS, SUAS e Sisan. Essa etapa é vital para evitar a fragmentação das políticas públicas.
### Impacto para Estados e Municípios
O protocolo não é apenas uma diretriz federal; ele precisa ser adotado e implementado por estados e municípios. Quando um agente de saúde identifica uma família em situação de insegurança alimentar, ele registra a informação na Tria, que é cruzada com o CadÚnico. Assim, a assistência social é acionada e programas complementares são avaliados, garantindo que a rede de segurança alimentar seja mobilizada.
Para municípios menores, essa padronização ajuda a organizar melhor os recursos disponíveis, como cestas emergenciais e cozinhas comunitárias.
### Integração como Estratégia
Um dos maiores desafios no combate à fome sempre foi a fragmentação dos dados entre saúde, assistência social e segurança alimentar. O Protocolo Brasil Sem Fome busca resolver essa questão, criando uma interoperabilidade entre os sistemas e definindo responsabilidades claras. Essa abordagem fortalece a intersetorialidade prevista na Constituição e na Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional.
### Desafios na Erradicação da Fome
Apesar dos avanços, a insegurança alimentar ainda pode ser afetada por fatores como desemprego, endividamento e o aumento no custo dos alimentos. É fundamental focar em grupos que muitas vezes ficam à margem, como pessoas em situação de rua e comunidades isoladas. Valéria Burity ressalta que o protocolo traz um método e informações valiosas, mas a execução nos territórios é o que realmente fará a diferença.
### O que muda para a população?
O impacto do protocolo pode parecer indireto, mas é significativo. Com a aplicação da Triagem no SUS, há uma chance maior de identificar famílias em situação de vulnerabilidade alimentar, mesmo que elas não busquem assistência social diretamente. Por exemplo, uma mãe que leva seu filho a uma unidade de saúde pode responder à triagem e ter sua situação registrada. Se o sistema identificar risco alimentar, a rede de assistência pode ser acionada automaticamente, reduzindo burocracias e facilitando o acesso a direitos.
### Perspectivas Futuras
Com a capacitação dos agentes, o MDS espera acelerar a implementação do protocolo. Isso inclui expandir a aplicação da Triagem, integrar dados e monitorar continuamente as informações. O objetivo é não apenas reduzir, mas erradicar a fome no país, combinando transferência de renda e articulação intersetorial. A ideia é reforçar a capacidade do Estado de atuar de forma preventiva e direcionada, buscando sempre melhorar a vida das pessoas que mais precisam.





