Magazine Luiza recebe atualização do Citi após queda
O Magazine Luiza está passando por um momento de ajustes e reavaliações. Recentemente, o Citi, um banco de investimento, revisou sua perspectiva sobre a empresa. Embora tenha melhorado a recomendação para as ações, a instituição optou por manter uma certa cautela em relação ao futuro operacional da companhia. O preço-alvo das ações caiu de R$ 7 para R$ 6,50, e as projeções de lucro para os próximos anos também foram reduzidas de forma significativa.
Os analistas do Citi, João Pedro Soares e Felipe Husein, explicaram que o mercado já fez um grande ajuste nas expectativas. Eles observaram que os investidores começaram a considerar um cenário econômico mais difícil, com juros altos por um período prolongado e um consumo de bens duráveis em queda. Isso afeta diretamente o Magazine Luiza, que vende muitos produtos de maior valor, como eletrônicos e eletrodomésticos. Quando as taxas de juros estão elevadas, o financiamento desses itens se torna mais caro, o que pode diminuir a disposição dos consumidores em comprar.
Os bens duráveis, que são produtos que duram mais tempo, tendem a ser os mais impactados em momentos de crise econômica. Com o aperto monetário promovido pelo Banco Central, o setor varejista, como um todo, enfrenta desafios. Mas, segundo o Citi, muitos desses riscos já estão refletidos nos preços atuais das ações, o que pode significar que novas notícias negativas terão um impacto menor.
A melhoria na recomendação do Citi não vem com um otimismo desenfreado. As previsões de lucro foram cortadas de maneira considerável. Para 2026, a expectativa de lucro caiu de R$ 273 milhões para R$ 113 milhões, uma redução de mais de 58%. Já para 2027, a estimativa passou de R$ 552 milhões para R$ 425 milhões, representando uma queda de cerca de 23%. Esses cortes refletem a expectativa de uma recuperação lenta no consumo e na rentabilidade da empresa.
Além de rever as projeções de lucro, o Citi também ajustou o preço-alvo das ações. Embora tenha diminuído, o banco acredita que o espaço para quedas adicionais é limitado. Portanto, a recomendação atual é neutra: o risco de novas perdas diminuiu, mas o potencial de valorização das ações também é restrito.
O relatório do Citi destacou duas estratégias que podem ajudar o Magazine Luiza a navegar por esse cenário desafiador. Primeiro, a empresa está apostando em aumentar a relevância das lojas físicas. Isso é interessante, pois as lojas oferecem margens mais atrativas em comparação com algumas operações digitais. O Magazine Luiza tem uma sólida presença nesse setor, construída ao longo dos anos.
Outro ponto positivo é o controle rigoroso das despesas. Nos últimos 13 trimestres, as despesas administrativas e de vendas cresceram abaixo da inflação em 10 deles. Isso mostra que a empresa conseguiu manter seus custos sob controle, mesmo em tempos difíceis. Em períodos de pressão sobre as receitas, essa eficiência operacional pode fazer toda a diferença.
No entanto, a situação do Magazine Luiza não é única. Outras empresas de varejo no Brasil também estão passando por dificuldades semelhantes. O crédito está mais caro, e os consumidores estão mais cautelosos com seus gastos, priorizando despesas essenciais. A concorrência, tanto de varejistas tradicionais quanto de marketplaces internacionais, também está aumentando, forçando as empresas a buscarem eficiência e revisar suas estratégias.
Para quem investe no Magazine Luiza, alguns pontos serão cruciais nos próximos meses. A evolução da taxa Selic é um deles. Se os juros começarem a cair de forma consistente, isso pode estimular o consumo de produtos duráveis. O crescimento das vendas nas lojas físicas também será um indicador importante para saber se a estratégia da empresa está dando resultados. Além disso, a capacidade de manter margens operacionais e gerar lucro será acompanhada de perto pelo mercado.
Embora a elevação da recomendação do Citi seja um sinal de que a percepção sobre os riscos mudou, os desafios ainda são grandes. O fortalecimento das lojas físicas e o controle de custos serão fundamentais para a recuperação do Magazine Luiza. O desempenho futuro da empresa ainda vai depender muito da trajetória dos juros, do comportamento dos consumidores e da capacidade de se destacar em um mercado competitivo.





