PF investiga executivos de bancos no caso Americanas
A nova fase da Operação Disclosure, que começou no dia 25 de junho, traz à tona um capítulo importante em um dos maiores escândalos do mercado financeiro brasileiro. Os investigadores estão ampliando o foco, não se limitando apenas aos antigos dirigentes da Americanas, mas também mirando em representantes de instituições financeiras. A preocupação é saber se esses profissionais tinham conhecimento das irregularidades nas operações de risco sacado e se ajudaram a esconder a real situação financeira da empresa.
Essa operação foi criada para investigar uma suposta fraude contábil que veio à luz em janeiro de 2023. Nessa época, a Americanas revelou inconsistências bilionárias em seus balanços financeiros. Na primeira fase, realizada em 2024, o foco estava nos ex-diretores e executivos da companhia. Agora, a Polícia Federal (PF) quer entender se pessoas de fora da administração também tiveram algum papel nas irregularidades.
O que a Polícia Federal investiga?
As apurações da PF estão se concentrando em duas áreas principais. A primeira delas é chamada de operações de risco sacado. Esse tipo de operação é uma modalidade de crédito em que um banco antecipa o pagamento a fornecedores, e a empresa paga o banco posteriormente. É uma prática comum, mas a PF suspeita que a Americanas não registrou essas operações corretamente. Isso poderia ter escondido parte de suas dívidas, dando uma falsa impressão sobre sua saúde financeira.
A segunda área de investigação envolve as verbas de propaganda cooperada (VPC). A PF acredita que algumas dessas verbas foram sustentadas por contratos que não tinham respaldo econômico, o que pode ter inflacionado os resultados financeiros da empresa.
Quem está sendo investigado?
A nova fase da operação inclui nomes de executivos de grandes bancos, como José de Castro Araújo Rudge e Gustavo Balassiano, ambos do Itaú; Carlos Henrique Villela Pedras do Bradesco; e Alexandre Abdo e André Almeida do Santander. Além deles, a lista também abrange figuras ligadas à antiga administração da Americanas, como Carlos Alberto Sicupira e Sérgio Rial.
Importante ressaltar que a inclusão dessas pessoas na investigação não significa que elas são culpadas. A investigação ainda está em andamento e não há condenações até o momento.
Como surgiram as suspeitas?
Essas novas investigações foram impulsionadas por provas coletadas desde 2024, incluindo documentos e mensagens. Um ponto crucial foi o depoimento do ex-diretor financeiro da Americanas, Fábio Abrate, que revelou que certas informações sobre as operações de risco sacado eram retiradas de documentos usados em auditorias. A PF também já havia descoberto que alguns funcionários de bancos foram pressionados a alterar documentos de auditoria, o que levanta a questão se houve participação consciente dos bancos ou se as alterações ocorreram sem seu conhecimento.
Mandados e bloqueio de bens
Durante essa fase da operação, a PF cumpriu nove mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro. Além disso, foi autorizado o sequestro de bens e valores dos investigados, que podem chegar a R$ 54 bilhões, um montante estimado como os prejuízos decorrentes das fraudes.
O que dizem os bancos e a Americanas?
As instituições financeiras, como Itaú e Santander, negam qualquer envolvimento nas irregularidades. Elas afirmam que sempre prestaram informações corretamente e se consideram vítimas da fraude. Até o momento, nenhuma decisão judicial reconheceu a responsabilidade criminal dos bancos.
A Americanas, por sua vez, informou que não foi alvo dos mandados de busca e que continuará colaborando com as autoridades. A empresa se posiciona como a principal interessada em esclarecer os fatos relacionados à fraude contábil descoberta em 2023.
O que vem a seguir?
Com a ampliação da Operação Disclosure, a investigação avança para identificar a participação de executivos de instituições financeiras nas fraudes. Os materiais apreendidos, juntamente com os depoimentos já coletados, poderão levar a novas acusações ou ao arquivamento das investigações, dependendo das análises da PF e do Ministério Público Federal.
Essa nova fase da investigação é um marco importante no caso da Americanas, trazendo à tona a necessidade de transparência nas finanças e uma fiscalização mais rigorosa no mercado. As repercussões desse caso poderão impactar a governança corporativa, o setor bancário e a confiança dos investidores no Brasil.





