Notícias

Três em cada dez utilizam cartão para gastos diários

A primeira edição do Mapa de Crédito da Serasa trouxe algumas informações bem interessantes sobre como os brasileiros estão usando o cartão de crédito. Um dado que chama atenção é que 30% dos usuários utilizam o cartão para cobrir gastos do dia a dia. E não para por aí: 63% da população fez uso dessa modalidade nos últimos 12 meses, tornando o cartão o principal meio de crédito por aqui.

Mas calma! Isso não significa que usar o cartão para despesas do dia a dia é sempre algo ruim. Quando bem utilizado, ele pode ajudar a organizar as contas, aproveitar prazos e até garantir alguns benefícios. O problema surge quando a pessoa acaba dependendo do limite do cartão porque o salário não é suficiente para fechar o mês. Nesse caso, o cartão deixa de ser um simples meio de pagamento e se torna uma extensão da renda, o que pode esconder um desequilíbrio financeiro.

O Que o Mapa de Crédito Revelou?

De acordo com o levantamento, 63% dos brasileiros utilizaram cartão de crédito pelo menos uma vez nos últimos 12 meses. Entre os que usam o cartão, 30% o utilizam para despesas diárias, 29% para compras específicas e 18% para emergências de saúde. Um ponto importante é que 41% dos entrevistados mencionaram o parcelamento como uma das principais razões para usar o cartão, seguido pela facilidade de acesso e um limite já aprovado.

O cartão é prático, aceito em praticamente todo lugar e oferece crédito na hora. Mas essa facilidade pode fazer com que a pessoa perca a noção dos gastos. Como o dinheiro não sai da conta imediatamente, pode ser fácil acumular valores até que a fatura chegue e a realidade bata à porta.

Usar Cartão Para Despesas Diárias: É Sempre um Problema?

Não necessariamente. O cartão pode, sim, ser uma ferramenta útil para pagar despesas como supermercado, combustíveis e até contas fixas, desde que haja um controle. A chave está em como esses gastos se encaixam no orçamento e como a fatura será paga. Por exemplo, uma pessoa que ganha bem e paga a fatura integralmente está usando o cartão de forma responsável. Já quem precisa dele para complementar a renda está num caminho mais arriscado.

Exemplo de Uso Planejado

Pense em uma família que destina R$ 1.200 por mês para supermercado e abastecimento. Se eles concentram esses gastos no cartão, acompanham pelo aplicativo e têm o valor reservado para pagar a fatura, estão fazendo uso inteligente do cartão. Aqui, ele age como um facilitador, sem gerar juros.

Exemplo de Dependência do Crédito

Agora, imagina uma família que ganha R$ 4 mil, mas tem despesas de R$ 4.700. Os R$ 700 que faltam vão para o cartão. No mês seguinte, a fatura chega e a renda continua a mesma. Se nada mudar, essa situação se repetirá, e a família pode acabar parcelando a fatura ou fazendo um novo empréstimo. É nesse ponto que o cartão começa a esconder uma questão financeira maior.

Por Que Muitos Brasileiros Dependem do Cartão?

A dependência do cartão pode ser causada por diversos fatores, como salários apertados, aumento no custo de vida e despesas inesperadas. Muitos brasileiros enfrentam a pressão de contas de supermercado, moradia e serviços que consomem quase 60% do orçamento mensal. Além disso, apenas dois em cada dez acreditam que conseguem administrar as despesas do dia a dia com facilidade.

Quando as despesas essenciais consomem uma parte significativa da renda, um imprevisto pode facilmente levar a um novo gasto no cartão. Portanto, a questão não é apenas se usar o cartão é certo ou errado, mas como isso se encaixa no planejamento financeiro de cada um.

Cartão: Parte do Orçamento ou Problema Adiado?

O cartão pode desempenhar ambos os papéis. Se a fatura é prevista e há dinheiro reservado para pagá-la, ele faz parte do orçamento. Mas quando a pessoa não sabe como vai quitar a fatura, o cartão se torna uma solução temporária que apenas transfere o problema para o mês seguinte.

O parcelamento de compras pode parecer mais viável, mas é preciso cuidado. Uma compra de R$ 1.200 pode se tornar R$ 100 por mês durante um ano, mas o acúmulo de várias parcelas pequenas pode comprometer a renda mensal rapidamente.

Riscos de Usar o Cartão para Despesas Básicas

O principal risco está em não conseguir pagar a fatura total. Isso pode levar ao crédito rotativo ou ao parcelamento, que geralmente têm custos altos. Embora existam regras para limitar encargos, isso não significa que usar o cartão seja uma opção barata. Pagar apenas o mínimo também não é uma solução, pois o saldo restante acumula juros e outros encargos.

Como Lidar com a Fatura?

Quando a fatura começa a ficar pesada, é hora de agir. Aqui vão algumas dicas:

  1. Pare de usar o cartão temporariamente. Novas compras só aumentam o problema.
  2. Verifique todas as cobranças. Olhe para cada compra e assinatura que você tem.
  3. Calcule quanto pode pagar. Preserve o que é essencial, como alimentação e moradia.
  4. Compare alternativas. Veja se o parcelamento da fatura é mais interessante do que um empréstimo.
  5. Preste atenção ao CET. Não escolha apenas pela parcela menor, mas sim pelo custo total.
  6. Reduza o limite após o acordo. Isso ajuda a evitar que a dívida cresça enquanto você ainda está pagando.

Organizem-se!

Ter um cartão de crédito não é um problema em si, mas é fundamental ter controle. Algumas dicas para manter tudo em ordem incluem:

  • Definir um teto mensal de gastos.
  • Ativar alertas de compra.
  • Manter um registro de parcelas futuras.
  • Evitar compras por impulso.
  • Pagar o valor total sempre que possível.

Lembre-se, o objetivo é usar o cartão de maneira que ele seja um aliado nas finanças, e não uma fonte de preocupação.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo