Vale-refeição tem menor poder de compra e rendimento reduzido
Recentemente, um estudo trouxe à tona alguns dados preocupantes sobre o vale-refeição, especialmente se compararmos com anos anteriores. Em 2025, esse benefício cobria aproximadamente dez dias de alimentação. Agora, em 2026, essa cobertura caiu para apenas nove dias úteis. O que isso significa na prática? Cada vez mais trabalhadores precisam tirar do próprio bolso para complementar as despesas com alimentação.
O que está por trás dessa redução? O principal fator é a diferença entre o aumento do preço das refeições e o reajuste do vale-refeição oferecido pelas empresas. Para ter uma ideia, durante o primeiro semestre de 2026, o custo médio de uma refeição fora de casa foi de cerca de R$ 44,69. Enquanto isso, o valor médio do vale-refeição ficou em torno de R$ 583,75. Com isso, o benefício já não cobre tantas refeições quanto antes, mesmo que o trabalhador continue recebendo essa ajuda.
Para muitos, a realidade é que o vale-refeição não é mais suficiente. Trabalhadores estão gastando mais do próprio salário para garantir alimentação adequada, especialmente aqueles que almoçam em restaurantes perto do trabalho ou em áreas urbanas, onde os preços são mais altos. Isso tem um impacto significativo nas finanças familiares, já que o vale-refeição não está cumprindo totalmente sua função de aliviar as despesas alimentares.
Se olharmos para os últimos anos, notamos que essa tendência de queda na cobertura do vale-refeição não é nova. Em 2019, antes da pandemia, o benefício permitia custear cerca de 18 dias de alimentação. Depois disso, a situação foi se deteriorando: 13 dias em 2022, 11 dias em 2023, 10 dias em 2024 e 2025, até chegar aos atuais 9 dias em 2026. Essa trajetória mostra uma perda de poder de compra contínua, refletindo o aumento dos custos com alimentação.
E não para por aí! O impacto da cobertura do vale-refeição varia bastante entre as diferentes regiões do Brasil. No Norte e no Nordeste, os dias de cobertura são menores. Por exemplo, em Roraima, o vale-refeição é suficiente para apenas seis dias úteis de alimentação. Em contraste, na Região Sudeste, Minas Gerais se destaca com uma cobertura média de aproximadamente 13 dias.
Essa situação não afeta apenas os trabalhadores. As empresas também sentem os efeitos dessa diminuição no poder de compra. Para os colaboradores, o aumento das despesas com alimentação pode prejudicar a renda disponível para outras necessidades, como transporte e moradia. Já para as empresas, oferecer benefícios que acompanhem o custo de vida é fundamental para manter a satisfação e engajamento dos funcionários. Em um mercado de trabalho onde a competitividade é alta, o pacote de benefícios se torna um fator importante na escolha e permanência dos profissionais.
É bom lembrar que vale-refeição e vale-alimentação não são a mesma coisa, embora muitas pessoas confundam os dois. O vale-refeição é voltado para refeições prontas em restaurantes, enquanto o vale-alimentação é utilizado para compras em supermercados e outros locais onde se adquirem alimentos para preparar em casa. Algumas empresas oferecem ambos, mas isso varia de acordo com as políticas internas.
Sobre o reajuste do vale-refeição, não existe um percentual fixo que as empresas são obrigadas a seguir. Normalmente, o valor é definido com base em negociações coletivas, orçamento da empresa e políticas de recursos humanos. Assim, é comum que trabalhadores de diferentes empresas recebam valores bem distintos, mesmo fazendo trabalhos semelhantes.
Muitas empresas oferecem vale-refeição através do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), que tem como objetivo promover a saúde e qualidade de vida dos trabalhadores. Além de beneficiar os empregados, esse programa dá incentivos fiscais para as empresas que seguem as diretrizes da legislação. Nos últimos anos, o PAT passou por atualizações para melhorar a portabilidade e a concorrência entre as operadoras, beneficiando ainda mais os trabalhadores.





