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Mais de 1 milhão de meIs correm risco de perder o CNPJ

Muita gente pode não ter percebido, mas a Receita Federal está chamando a atenção para um problema sério que afeta muitos empreendedores. Entre outubro e novembro do ano passado, mais de 2,6 milhões de contribuintes receberam um alerta para regularizar suas pendências fiscais. O que acontece com aqueles que não se mexem? A situação pode se complicar bastante, e as consequências vão muito além de multas.

Quando o CNPJ de uma empresa é declarado inapto, isso significa que ela não poderá operar normalmente. Mesmo que a empresa ainda exista, seu funcionamento fica comprometido. Os problemas podem ser vários: desde a impossibilidade de emitir notas fiscais até dificuldades em obter financiamentos e participar de licitações. Para muitos pequenos negócios, isso pode ser um verdadeiro desastre, inviabilizando suas operações.

E quem está mais vulnerável a essa situação? A Receita Federal estima que mais de um milhão de microempreendedores individuais (MEIs), além de cerca de 434 mil empresas do Simples Nacional, estão em risco. Muitas dessas empresas não apresentam atividade econômica há anos, o que deixa a Receita ainda mais preocupada com a regularização cadastral.

Mas por que a Receita Federal toma essa atitude? A resposta está na legislação. Se uma empresa deixa de entregar suas obrigações fiscais por mais de 90 dias, seu CNPJ pode ser declarado inapto. Essas obrigações são essenciais para que o governo monitore a saúde fiscal das empresas e mantenha os registros em ordem.

Falando em obrigações, o que são exatamente? Elas incluem declarações que os contribuintes devem enviar regularmente, mesmo que não tenham movimentação financeira. Um exemplo bastante conhecido entre os MEIs é a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI). A falta dessas informações pode resultar em multas e, em casos mais graves, na inaptidão do CNPJ.

Para quem quer saber se o seu CNPJ tem pendências, existem ferramentas online bem práticas. A Receita Federal oferece o serviço “Minhas Dívidas e Pendências”, onde é possível consultar a situação do CNPJ, verificar declarações em atraso e identificar débitos tributários. O acesso é feito por meio da conta Gov.br, que garante a segurança necessária.

Se você recebeu um Termo de Intimação, ainda dá tempo de evitar a inaptidão, contanto que regularize suas pendências antes que o Ato Declaratório Executivo (ADE) seja publicado. Para isso, comece identificando quais obrigações não foram entregues. Depois, é hora de transmitir as declarações pendentes, corrigir informações e quitar débitos. Quanto mais rápido você agir, melhores serão as chances de evitar problemas maiores.

E se o CNPJ já estiver inapto? Não se preocupe, ainda há possibilidade de recuperação. Após regularizar as pendências, é possível solicitar o restabelecimento do CNPJ. Porém, esse processo pode exigir mais etapas de análise e validação, então é sempre bom agir antes que o ADE seja publicado.

Uma das razões que levam muitos MEIs a ficarem irregulares é o desconhecimento das obrigações fiscais. Muitos acreditam que, por serem MEIs, não precisam enviar informações se não têm faturamento. Mas essa ideia está errada! Mesmo sem movimentação financeira, é preciso cumprir com algumas obrigações para manter o cadastro em dia. Além disso, algumas empresas que foram abertas para atividades temporárias acabam sendo abandonadas sem a baixa formal, o que também gera complicações.

Para evitar problemas no futuro, o ideal é acompanhar regularmente a situação fiscal do seu negócio. Entre as boas práticas, estão entregar a DASN-SIMEI dentro do prazo, pagar mensalmente a guia DAS e atualizar dados cadastrais sempre que necessário. Consultar a situação fiscal frequentemente no portal da Receita Federal e manter registros das atividades realizadas também ajuda a evitar surpresas desagradáveis.

A Receita Federal está alertando sobre a importância de regularizar a situação antes que se torne um problema maior. Para mais de um milhão de MEIs, é crucial verificar a situação do CNPJ, identificar pendências e agir rapidamente para garantir que suas atividades empresariais sigam sem interrupções.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

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