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Recompras na bolsa totalizam R$ 11 bilhões

Nos últimos meses, o movimento de recompra de ações ganhou bastante força. Em maio, as empresas compraram R$ 2,5 bilhões em suas próprias ações, e esse número subiu para R$ 3,2 bilhões em junho, segundo informações do Itaú BBA. Além disso, mais de 90 empresas ainda têm programas abertos que permitem a compra de até R$ 65 bilhões em ações, o que mostra que o interesse por essa prática continua em alta.

Para quem investe, a recompra pode ser vista como um sinal de que a administração acredita que suas ações estão baratas ou que essa é uma maneira inteligente de utilizar o caixa disponível. Mas é bom ter cuidado: autorizar um programa de recompra não significa que a empresa vai usá-lo todo. Às vezes, uma companhia pode estar enfrentando dificuldades financeiras e, mesmo assim, decidir comprar suas ações.

Analisando os dados do Itaú BBA, empresas como Hapvida, Prio, Axia Energia, Localiza e TIM aparecem com um alto potencial de recompra em relação ao valor de mercado. Isso não quer dizer que elas sejam automaticamente um bom investimento, mas vale a pena ficar de olho nelas se você acompanha a alocação de capital das companhias.

### O que é uma recompra de ações?

Uma recompra acontece quando uma empresa usa seus próprios recursos para adquirir ações que já foram emitidas. Basicamente, ela volta ao mercado e compra ações que estão nas mãos de investidores. Esses papéis podem ser mantidos em tesouraria, cancelados ou até usados para remunerar funcionários e executivos.

Reduzir a quantidade de ações em circulação pode aumentar o lucro por ação. Por exemplo, se uma empresa tem um lucro de R$ 100 milhões e 100 milhões de ações, o lucro por cada ação é de R$ 1. Se ela cancelar 10 milhões de ações, esse lucro agora será dividido por 90 milhões, aumentando o lucro por ação para cerca de R$ 1,11, mesmo sem aumentar o lucro total.

### Por que as empresas optam pela recompra de ações?

As razões para uma empresa decidir recomprar suas ações são variadas. Um dos motivos mais comuns é quando a administração acredita que o preço das ações está abaixo do que deveria. Nesse caso, investir em sua própria empresa pode ser mais vantajoso do que deixar o dinheiro parado ou aplicá-lo em projetos com retorno incerto.

Empresas que geram caixa de forma consistente, mas que não têm muitas oportunidades de crescimento, costumam devolver parte desse recurso aos acionistas. Isso pode acontecer através de dividendos, juros sobre capital próprio ou, claro, recompras de ações.

Outro motivo para a recompra é a intenção de melhorar indicadores financeiros, como lucro por ação. É importante, no entanto, que o investidor observe se essa melhoria vem de um crescimento real ou apenas da redução do número de ações.

### O que as empresas já recompraram em 2026?

Até agora, em 2026, o volume de recompras na B3 alcançou R$ 11,1 bilhões, um aumento de 22,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos últimos meses, o ritmo acelerou, com um crescimento de 28% apenas entre maio e junho. Isso indica que as empresas não estão apenas anunciando programas, mas também estão realmente comprando suas ações.

### Quanto ainda pode ser recomprado?

O total de programas de recompra abertos é muito maior do que o que já foi executado. São 107 programas entre 92 empresas, com um valor total autorizado de R$ 77,6 bilhões. Desses, cerca de R$ 65,4 bilhões ainda não foram utilizados. Isso mostra que há muito potencial para novas compras, mas é importante lembrar que a autorização não garante que todas as empresas vão usar esse dinheiro.

### O que explica a aceleração das recompras em 2026?

Esse aumento nas recompras pode estar ligado a uma combinação de fatores, como preços considerados atrativos, recuperação na geração de caixa e uma busca por maneiras mais eficientes de recompensar acionistas. Após períodos de volatilidade, muitas empresas podem perceber que suas ações estão subvalorizadas.

### Quais são as regras para uma empresa recomprar ações?

As recompras são regulamentadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A empresa deve seguir uma série de regras, que incluem informar ao mercado sobre o objetivo do programa, a quantidade máxima de ações e o prazo previsto para a execução. Além disso, é preciso ter transparência sobre as operações, para que os investidores possam acompanhar o que está acontecendo.

### O que é buyback yield?

Buyback yield é um indicador que mostra o retorno potencial de uma recompra, comparando o valor da recompra com o valor de mercado da empresa. Uma fórmula simples para isso é: valor da recompra potencial dividido pelo valor de mercado da empresa, multiplicado por 100. Se uma empresa vale R$ 10 bilhões e pode recomprar R$ 500 milhões, o buyback yield seria de 5%.

Enquanto o buyback yield mede a recompra, o dividend yield relaciona os dividendos pagos ao preço da ação. Portanto, um buyback yield alto não significa que os investidores receberão esse percentual diretamente em suas contas, e isso deve ser considerado na hora de avaliar uma empresa.

### Quais empresas se destacam atualmente?

De acordo com o Itaú BBA, cinco empresas estão se destacando por seu potencial de recompra em relação ao valor de mercado, com menos de 30% do programa já executado. Elas são: Hapvida, Prio, Axia Energia, Localiza e TIM. Cada uma delas apresenta características únicas que devem ser analisadas antes de qualquer decisão de investimento.

Por exemplo, a Hapvida tem um buyback yield potencial de 9,9%, o que é bastante significativo. Mas, ao considerar investir, é fundamental olhar outros fatores, como a geração de caixa e o endividamento da empresa.

### O que esperar dos próximos meses?

Com R$ 65,4 bilhões ainda disponíveis para recompra, é provável que esse tema continue em destaque. No entanto, a execução vai depender das condições do mercado. Se as ações subirem, algumas empresas podem hesitar em recomprar, enquanto uma queda nos preços pode levar a uma aceleração das recompra. Fatores como juros, atividade econômica e resultados financeiros também vão influenciar essas decisões.

A movimentação nas recompras mostra que muitas empresas estão enxergando valor em suas ações ou buscando maneiras alternativas de devolver dinheiro aos acionistas. Para o investidor, é importante acompanhar de perto a execução desses programas e analisar a saúde financeira das empresas envolvidas.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

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