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Simples Nacional pode ter novo teto de faturamento

Recentemente, uma proposta interessante foi entregue ao ministro do Empreendedorismo, Paulo Henrique Pereira. O objetivo? Atualizar o Simples Nacional, incluindo um aumento no teto de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI). Essa proposta ainda precisa passar por negociações com o governo federal e, claro, receber a aprovação do Congresso Nacional. Se tudo der certo, essa atualização pode beneficiar milhões de empresas que, por conta da inflação, estão prestes a deixar o regime simplificado.

Vamos entender melhor o que está em jogo aqui. De acordo com o relator do PLP 108/2021, a ideia é ajustar as faixas de faturamento para que reflitam a inflação acumulada nos últimos anos. Essa proposta surgiu após várias reuniões com empreendedores e representantes do setor produtivo de diferentes regiões do Brasil. E uma boa notícia: as novas regras devem começar a valer apenas em 2028. Isso dá tempo para as empresas e o governo se adaptarem a essas mudanças.

Atualmente, os limites do Simples Nacional são os mesmos desde 2018. Para dar uma ideia, temos os seguintes enquadramentos: o MEI pode faturar até R$ 81 mil por ano, as Microempresas (ME) até R$ 360 mil, e as Empresas de Pequeno Porte (EPP) até R$ 4,8 milhões anuais. O problema é que, enquanto os limites estão congelados, os custos das empresas aumentaram bastante por conta da inflação.

E o que podemos esperar dos novos limites de faturamento? Embora o projeto ainda não tenha valores definidos, algumas estimativas sugerem que, com uma correção pela inflação, os limites poderiam ser: MEI com um teto de cerca de R$ 145 mil por ano, Microempresa com aproximadamente R$ 870 mil anuais e Empresa de Pequeno Porte alcançando cerca de R$ 8,7 milhões por ano. Mas vale lembrar que esses números ainda estão em discussão e podem mudar.

Enquanto isso, a atualização do MEI já está avançando. O que se discute atualmente é aumentar o limite anual do MEI de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027, com a possibilidade de chegar a R$ 140 mil em 2028, se o projeto for aprovado. Além disso, o PLP 108/2021 também traz outras mudanças que podem facilitar a vida dos microempreendedores.

Porém, essa ampliação das faixas do Simples Nacional enfrenta desafios, especialmente em relação ao impacto nas contas públicas. O governo está analisando os efeitos fiscais da proposta, que pode acarretar um impacto de cerca de R$ 50 bilhões por ano. Portanto, ainda há bastante discussão pela frente.

Representantes do setor produtivo pedem não só um reajuste imediato, mas também um mecanismo de atualização automática dos limites com base na inflação. Isso ajudaria a evitar que empresas deixem o regime simplificado sem ter realmente mudado de porte econômico.

E quanto às empresas que podem se beneficiar com essas mudanças? Dados da Receita Federal mostram que existem mais de 16,2 milhões de MEIs registrados e cerca de 7,3 milhões de empresas optantes pelo Simples Nacional. Ou seja, qualquer alteração nas faixas de faturamento pode impactar diretamente milhões de pequenos negócios que são fundamentais para a geração de empregos no Brasil.

No entanto, é importante ressaltar que a proposta ainda não foi aprovada. O governo está avaliando os impactos econômicos antes de decidir se o reajuste será incorporado ao texto. Caso haja um acordo, o projeto ainda precisará passar pela aprovação nas duas Casas Legislativas e, posteriormente, pela sanção presidencial.

Enquanto isso, empresários devem continuar atentos às regras atuais do Simples Nacional. É fundamental acompanhar o próprio faturamento para evitar surpresas e continuar cumprindo as exigências da Receita Federal. Ficar de olho na tramitação do PLP 108/2021 pode ser uma boa ideia, pois, se aprovado, pode significar uma atualização importante para milhões de pequenos negócios nos próximos anos.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

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