Projeto elimina necessidade de CNPJ e nota fiscal para nanoempreendedores
O tema da formalização dos pequenos trabalhadores autônomos está em pauta, e por um bom motivo. Afinal, essa discussão toca diretamente na vida de muitos que buscam sair da informalidade. Os defensores da proposta acreditam que aumentar a burocracia só vai desestimular quem está tentando se formalizar. Mas, por enquanto, nada muda. O projeto ainda precisa passar pelo Congresso Nacional antes de qualquer alteração efetiva nas regras.
Enquanto isso, as normas atuais da reforma tributária continuam em vigor. Vamos explorar quem são os nanoempreendedores, o que está em jogo e quais podem ser os impactos para milhões de brasileiros que se encaixam nessa categoria.
### O que diz o novo projeto?
O Projeto de Decreto Legislativo (PDL) nº 851/2026, que foi apresentado pela deputada federal Adriana Ventura, tem a intenção de suspender partes de regulamentações que entrariam em vigor em janeiro de 2027. Segundo essas normas, os nanoempreendedores teriam que ter um CNPJ, emitir nota fiscal quando necessário e cumprir outras obrigações fiscais. Se o PDL for aprovado, eles poderão continuar usando apenas o CPF para identificação tributária, o que simplificaria sua vida.
### Quem são os nanoempreendedores?
Os nanoempreendedores são uma categoria criada para atender trabalhadores autônomos com faturamento bem reduzido. Se você é um artesão, costureira, vendedor ambulante ou presta pequenos serviços, pode se encaixar aqui. A ideia é oferecer uma alternativa mais simples para aqueles que ganham até R$ 40,5 mil por ano, sem as exigências mais pesadas que recaem sobre o Microempreendedor Individual (MEI).
### Por que essa categoria foi criada?
Quando a reforma tributária foi implementada, ficou claro que era necessário um espaço específico para aqueles com renda mais baixa. A intenção era evitar que eles enfrentassem as mesmas responsabilidades que empresas maiores. O conceito de nanoempreendedor busca equilibrar dois objetivos: facilitar a formalização e reduzir a burocracia. A lógica é que, quanto mais simples for o processo, mais pessoas vão querer se legalizar.
### O que gerou a polêmica sobre CNPJ e nota fiscal?
A polêmica começou com as novas exigências que surgiram após a regulamentação da reforma tributária. Embora a ideia inicial fosse simplificar a vida dos pequenos empreendedores, a regulamentação trouxe obrigações como a necessidade de ter um CNPJ e emitir documentos fiscais. Adriana Ventura, na justificativa do projeto, argumenta que isso vai contra o propósito original de facilitar a vida de quem vive com pouco dinheiro. Para ela, essas exigências podem acabar desencorajando trabalhadores a se formalizarem.
### O que mudaria se o projeto for aprovado?
Se o PDL passar, os nanoempreendedores poderão continuar suas atividades usando apenas o CPF para questões tributárias. Isso significa que não precisarão mais abrir um CNPJ nem emitir notas fiscais, o que pode reduzir a burocracia e facilitar a vida de quem trabalha de forma independente e tem um faturamento baixo.
### O projeto já está em vigor?
Não, ainda não. O projeto foi apenas protocolado e precisa passar por várias etapas na Câmara dos Deputados, incluindo análises e votações. Somente após a aprovação pela Câmara e pelo Senado, e cumprindo todos os trâmites legislativos, é que poderá impactar as regras atuais. Até lá, as exigências do Decreto nº 12.955/2026 e da Resolução nº 6/2026 continuam valendo.
### Qual é a diferença entre nanoempreendedor e MEI?
Embora ambos estejam voltados para pequenos negócios, existem diferenças significativas. O nanoempreendedor é uma pessoa física com receita anual de até R$ 40,5 mil, enquanto o MEI é um empresário que possui CNPJ e segue regras específicas, com um limite de faturamento maior. A categoria de nanoempreendedor foi criada para atender aqueles que estão abaixo do que o MEI contempla.
### Quais são os impactos para pequenos trabalhadores?
A discussão envolve dois grandes objetivos: simplificação e fiscalização. Especialistas defendem que reduzir as exigências pode ajudar muitos trabalhadores a se formalizarem, enquanto outros acreditam que a burocracia ajuda a controlar e organizar o sistema tributário. O desafio é encontrar um meio-termo que beneficie os pequenos empreendedores sem prejudicar a arrecadação e a fiscalização.
### Quem pode ser beneficiado?
Se o projeto for aprovado, os principais beneficiados serão os trabalhadores autônomos de baixa renda, especialmente aqueles que atuam sozinhos, prestam serviços pequenos ou vendem produtos artesanais. Para eles, menos burocracia pode significar menos custos e mais facilidade para se manter na economia formal.
### O que fazer enquanto o projeto tramita?
Por enquanto, não há nenhuma mudança prática. Quem pensa em atuar como nanoempreendedor deve ficar de olho na evolução do projeto no Congresso e acompanhar as regulamentações que surgirem. Será sempre uma boa ideia buscar a orientação de um contador ou profissional especializado antes de fazer qualquer alteração em sua atividade econômica.





