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FIIs que pagam dividendos superiores à Selic em foco

Nos últimos tempos, alguns fundos imobiliários têm chamado a atenção por oferecerem dividend yields que superam a taxa básica de juros da economia. Em alguns casos, os retornos anualizados chegam a ultrapassar 20%, o que, sem dúvida, atrai olhares curiosos do mercado. Mas é bom ficar atento: um yield alto por si só não é garantia de um bom investimento. Especialistas destacam que muitos desses fundos que distribuem bons rendimentos também enfrentam quedas significativas no valor das cotas, o que pode acabar comprometendo o retorno total do investidor.

Por que a queda da Selic favorece os FIIs?

A Selic é a principal referência para os investimentos de renda fixa no Brasil. Quando os juros estão altos, aplicações como Tesouro Selic, CDBs e fundos DI se tornam mais atraentes. No entanto, quando a taxa começa a cair, muitos investidores buscam alternativas que ofereçam retornos mais interessantes. E é aí que os fundos imobiliários entram em cena. Eles costumam se beneficiar por vários motivos:

  • Distribuição mensal de rendimentos: Isso traz uma certa previsibilidade para quem busca uma renda regular.
  • Isenção de Imposto de Renda: Para pessoas físicas, em determinadas condições, isso é uma vantagem e tanto.
  • Potencial de valorização das cotas: Além do rendimento, o investidor pode ter um ganho adicional com a valorização do ativo.
  • Diversificação da carteira: Investir em FIIs permite exposição ao mercado imobiliário sem precisar comprar um imóvel.
  • Acesso a recebíveis imobiliários: Os FIIs de papel, por exemplo, muitas vezes mantêm distribuições atrativas mesmo com juros elevados.

O que é dividend yield?

O dividend yield é um indicador que mostra o percentual de retorno gerado pelos rendimentos em relação ao preço da cota. Por exemplo, se um fundo paga R$ 1,50 por mês e a cota é negociada a R$ 100, isso resulta em um retorno anualizado perto de 18%. Esse indicador é muito usado para comparar diferentes oportunidades no mercado. Mas cuidado! Um yield muito elevado pode sinalizar:

  • Uma oportunidade de mercado
  • Queda expressiva do valor da cota
  • Distribuições extraordinárias
  • Riscos elevados na carteira
  • Possíveis dificuldades futuras na manutenção dos pagamentos

Por isso, é fundamental fazer uma análise mais completa.

Os FIIs com maiores dividend yields do momento

Atualmente, alguns fundos se destacam com retornos acima de 20% ao ano. Vamos dar uma olhada em alguns deles:

  • DEVA11: Com um dividend yield de 23,39%, esse fundo tem visto suas cotas desvalorizarem 36,82% nos últimos 12 meses. Isso mostra que rendimentos altos nem sempre compensam perdas significativas.

  • HCTR11: Apresentando um yield de 22,37%, esse fundo também registrou uma queda de 20,08% no valor das cotas no mesmo período, o que gera interesse, mas também cautela entre os investidores.

  • TGAR11: Com um yield de 20,18%, o TGAR11 está entre os maiores pagadores, mas suas cotas caíram 33,41% em 12 meses, reforçando a importância de uma análise global.

FIIs que combinam dividendos e valorização

Existem fundos que conseguem unir uma boa distribuição de rendimentos com a valorização das cotas, o que é excelente para investidores de longo prazo. Confira alguns exemplos:

  • VGIA11: Este fundo tem um dividend yield de 16,96% e valorização das cotas de 27,63%. É um dos que mais se destacou nesse sentido.

  • RZAG11: Com um dividend yield de 17,46% e valorização de 13,25%, esse fundo mostra um bom equilíbrio entre renda e crescimento.

  • VGIR11: Apresenta um yield de 15,92% e uma valorização de 19,78% em 12 meses, tornando-o atraente para quem busca bons resultados.

Outros FIIs que atraem investidores

Além dos que já mencionamos, há outros fundos com retornos que superam a Selic:

  • CPTS11: Dividend yield de 14,64% e valorização de 15,19%.
  • XPCA11: Dividend yield de 16,75% e valorização de 16,99%.
  • SNAG11: Dividend yield de 15,54% e valorização de 21,40%.
  • RURA11: Dividend yield de 16,04% e valorização de 18,78%.
  • KNCA11: Dividend yield de 14,32% e valorização de 10,62%.
  • VGHF11: Dividend yield de 15,44% e desvalorização de 11,67%.

O que analisar além do dividend yield?

Investidores mais experientes costumam considerar diversos fatores antes de decidir onde investir. Aqui estão alguns pontos importantes:

  • Qualidade dos ativos: Verifique quem são os devedores ou inquilinos, o nível de inadimplência e a diversificação da carteira.

  • Histórico de distribuição: Um pagamento elevado não é garantia de que será mantido. Fundos com um histórico consistente transmitem mais segurança.

  • Liquidez: Fundos com um volume de negociação maior geralmente oferecem mais facilidade para comprar e vender as cotas.

  • Gestão: A experiência da gestora e sua capacidade de administrar riscos podem impactar os resultados a longo prazo.

Os riscos dos FIIs de alto rendimento

Fundos com dividend yields elevados costumam trazer riscos mais altos. Entre eles, podemos encontrar:

  • Inadimplência dos créditos imobiliários
  • Oscilações no valor das cotas
  • Redução futura dos dividendos
  • Concentração excessiva da carteira
  • Mudanças no cenário econômico

Por isso, é sempre bom diversificar e fazer uma análise cuidadosa antes de investir.

Investir em FIIs com dividendos acima da Selic pode ser uma boa opção, mas tudo depende do perfil de cada investidor. Para quem busca uma renda regular e está disposto a lidar com as oscilações do mercado, esses fundos podem ser uma alternativa interessante, especialmente em um cenário de queda gradual dos juros. Contudo, focar apenas nos maiores dividend yields pode levar a decisões arriscadas. O ideal é considerar o retorno total do investimento, levando em conta tanto os rendimentos quanto a valorização ou desvalorização das cotas.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

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