LCI e LCA têm menor rendimento: é hora de investir?
Em 2026, o cenário das taxas de investimento mudou bastante. Os bancos começaram a oferecer taxas menores, especialmente nas Letras de Crédito Imobiliário (LCIs). Isso fez com que os investidores prestassem mais atenção e comparassem com outras opções, como os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e o Tesouro Direto. Um levantamento da Quantum Finance revelou que a remuneração média das LCIs atreladas ao CDI caiu de 94,41% em 2025 para 88,00% em 2026. E nas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs), a redução foi mais leve, passando de 90,05% para 88,24% do CDI.
Enquanto isso, as emissões de LCIs despencaram de 197 para apenas 16 títulos entre janeiro e maio deste ano. Já as LCAs, pelo contrário, tiveram um aumento significativo, subindo de 6.172 para 7.278 emissões. Isso mostra como o mercado de renda fixa está se transformando e como é importante olhar além da taxa anunciada.
Por que as taxas das LCIs e LCAs caíram?
Vários fatores contribuíram para a queda das taxas. Um dos principais é a menor demanda por crédito imobiliário. Com os juros elevados, o mercado imobiliário desacelerou, e as LCIs, que financiam esse setor, tiveram uma captação reduzida.
No segundo semestre de 2025, muitos investidores correram para aplicar em LCIs e LCAs, motivados por rumores de mudanças tributárias. Essa forte entrada de recursos fez com que os bancos não precisassem captar tanto em 2026, resultando em taxas mais baixas. Além disso, as instituições financeiras estão sendo mais seletivas na concessão de crédito, o que diminui a competição e, consequentemente, as taxas.
A queda nas taxas significa que LCIs e LCAs não valem mais a pena?
Não exatamente. Mesmo com a redução, as LCIs e LCAs ainda são opções interessantes porque são isentas de Imposto de Renda. Um erro comum é comparar um investimento que paga 90% do CDI sem imposto com um que paga 100% do CDI sujeito à tributação. Essa comparação pode levar a conclusões erradas.
Uma boa prática é fazer o cálculo de “gross up”, que transforma a rentabilidade líquida de um título isento em uma taxa bruta equivalente. Por exemplo, se uma LCI paga 90% do CDI e um investimento tributado tem uma alíquota de 20%, a taxa equivalente seria de 112,5% do CDI. Assim, um CDB precisaria render esse percentual para igualar o retorno da LCI.
Quais taxas estão disponíveis atualmente?
Atualmente, os investidores podem encontrar diferentes tipos de LCIs e LCAs, como as pós-fixadas, prefixadas e indexadas à inflação. As taxas variam de acordo com o emissor, prazo e valor mínimo de aplicação.
Liquidez é fundamental
Um ponto crucial ao investir em LCIs e LCAs é a liquidez. Esses títulos geralmente têm períodos de carência mais longos. Se você precisar do dinheiro antes do vencimento, pode não conseguir resgatar ou pode ter que vender por um preço inferior. Por isso, é recomendável aplicar apenas recursos que você pode deixar investidos até o vencimento.
O que é o FGC?
As LCIs e LCAs têm a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, com um limite global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Essa proteção é importante, mas não elimina todos os riscos. Em caso de problemas com um banco, o processo de ressarcimento não é imediato e o dinheiro não continua rendendo enquanto você espera.
Cuidado na escolha da taxa
Buscando a maior rentabilidade, muitos investidores podem ignorar aspectos fundamentais. Instituições menores podem oferecer taxas mais altas, mas isso geralmente vem com maiores riscos. É importante considerar a solidez da instituição, o prazo do investimento e a necessidade de liquidez.
O que aprenderam os investidores?
Os últimos anos mostraram que, ao comprar LCIs e LCAs prefixadas, muitos investidores acabaram pagando entre 8% e 9% ao ano, enquanto as taxas novas subiram. Isso gerou um custo de oportunidade, evidenciando a importância de analisar o cenário econômico antes de comprometer taxas por períodos longos. Em investimentos de longo prazo, às vezes um CDB pode oferecer retorno líquido superior ao de uma LCI ou LCA.
Considerações para investidores de alta renda
A complexidade do planejamento financeiro aumentou, especialmente para investidores de alta renda. É preciso avaliar como os rendimentos isentos impactam a tributação total da carteira. Em alguns casos, investimentos tributados podem ser mais estratégicos, exigindo um planejamento personalizado.
Como escolher entre LCI, LCA, CDB e Tesouro Direto?
A escolha depende dos seus objetivos financeiros. As LCIs e LCAs são boas para quem busca isenção de Imposto de Renda e não pretende resgatar antes do vencimento. Já os CDBs podem ser mais indicados para quem precisa de liquidez e busca taxas mais altas. O Tesouro Direto é ideal para reservas a longo prazo e diversificação da carteira.
Assim, as LCIs e LCAs continuam a ser alternativas relevantes para quem busca investimentos de renda fixa com isenção de impostos, mas é preciso ficar atento às mudanças no cenário do mercado e avaliar todos os aspectos antes de decidir.





