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Receita aumenta controle sobre a venda de imóveis

A Receita Federal está dando um passo importante na fiscalização do mercado imobiliário com a integração entre cartórios e suas bases de dados. Isso permite que o órgão cruze informações de escrituras, declarações de Imposto de Renda e outros registros relacionados a transações imobiliárias. O resultado? Uma capacidade maior de identificar discrepâncias entre os valores que as pessoas declaram e aqueles que realmente são negociados.

Essa mudança afeta não só os compradores e vendedores, mas também investidores, construtoras e profissionais do setor. Se alguém informar um valor que não corresponde à realidade da transação, pode ser chamado para explicar. E, se for comprovada alguma fraude, as consequências podem incluir multas pesadas e outras penalidades.

Se você está curioso sobre como funciona o “CPF do imóvel”, por que a Receita Federal está mais atenta e quais as penalidades para quem tenta burlar essa fiscalização, continue lendo.

## O que é o Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB)?

O Cadastro Imobiliário Brasileiro, ou CIB, é um sistema que a Receita Federal criou para identificar imóveis, sejam eles urbanos ou rurais, através de um código único. Embora muitas pessoas chamem o CIB de “CPF do imóvel”, essa expressão é apenas uma maneira de facilitar a compreensão do que ele faz. O propósito principal é padronizar a identificação dos imóveis em todo o país, permitindo que diversas entidades públicas usem informações compatíveis sobre a mesma propriedade.

Com isso, a administração pública consegue reduzir divergências cadastrais, melhorar a qualidade das informações e fortalecer a fiscalização tributária. Além de combater a sonegação, o CIB facilita a integração entre a União, estados, municípios e cartórios, tornando a gestão de informações imobiliárias mais eficiente.

## Como funciona a nova fiscalização da Receita Federal

A Receita Federal já utiliza sistemas eletrônicos para cruzar dados de diferentes declarações fiscais há alguns anos. Com a nova integração do Cadastro Imobiliário Brasileiro, esse processo ficou ainda mais robusto. Sempre que há uma compra, venda ou qualquer transferência patrimonial, várias informações são registradas em diferentes órgãos. Isso inclui a escritura pública registrada em cartório, a declaração do Imposto de Renda, a apuração do ganho de capital e outros dados relevantes.

Quando os dados apresentados têm diferenças significativas, os sistemas da Receita Federal podem sinalizar a operação para análise. Importante ressaltar que nem toda discrepância leva a uma autuação, mas a probabilidade de que operações incompatíveis sejam identificadas aumentou.

## O que é o subfaturamento de imóveis?

Subfaturamento é quando um imóvel é vendido por um certo valor, mas a escritura registra um preço inferior ao que realmente foi pago. Essa prática é comumente usada para reduzir o pagamento de tributos relacionados à venda, como o Imposto de Renda sobre o ganho de capital do vendedor e o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), que é municipal.

Por exemplo, se um apartamento é vendido por R$ 900 mil, mas na escritura constar apenas R$ 700 mil, o vendedor consegue diminuir o ganho de capital tributável e o comprador paga um ITBI menor. Se a Receita Federal descobrir a discrepância, pode cobrar a diferença nos tributos, além de juros e multas.

## Como a Receita identifica inconsistências

A fiscalização atual é bastante abrangente. Ela não se limita a comparar apenas a escritura e a declaração do Imposto de Renda. Os sistemas da Receita analisam uma série de informações, como valores declarados, histórico patrimonial, registros fiscais municipais e até movimentações financeiras, desde que dentro da legalidade. Quanto maior a divergência entre esses dados, maior a chance de a Receita Federal investigar a operação.

## Quais impostos costumam ser reduzidos com o subfaturamento

A principal razão para o subfaturamento é, sem dúvida, a redução da carga tributária. O Imposto de Renda sobre o ganho de capital pode variar entre 15% e 22,5%, dependendo do valor do lucro obtido na venda. Quanto menor o valor declarado, menor será o imposto a pagar, o que torna essa prática um alvo constante da fiscalização.

Outro imposto que pode ser afetado é o ITBI, que cada município calcula de maneira diferente. Informar valores que não correspondem à transação pode resultar em questionamentos administrativos e fiscais.

## Quais são as penalidades para quem frauda a declaração

As penalidades variam conforme a gravidade da infração. Se a Receita Federal identificar erro ou omissão sem comprovação de fraude, o contribuinte geralmente terá que pagar o imposto devido, juros da Selic e uma multa que pode chegar até 75% do valor do tributo. Se houver comprovação de fraude, a penalidade pode aumentar para entre 100% e 150% do imposto devido, além de juros.

Casos mais sérios, especialmente aqueles que indicam crimes contra a ordem tributária ou lavagem de dinheiro, podem ser encaminhados para investigação criminal.

## Transferências entre familiares também podem ser fiscalizadas

É um mito pensar que transações entre familiares, como vendas entre pais e filhos, estão fora do radar da Receita Federal. Doações e partilhas entre familiares também precisam ser corretamente declaradas. Mesmo que existam isenções legais, os valores informados devem refletir a realidade da operação.

Com a integração das bases de dados, operações entre parentes podem ser analisadas se apresentarem discrepâncias.

## O que muda para quem compra ou vende um imóvel

Para quem negocia de forma transparente, as mudanças significam apenas uma maior atenção à organização dos documentos. É essencial que todas as informações nos contratos, escrituras e declarações fiscais sejam coerentes. Isso ajuda a evitar problemas futuros com a Receita Federal ou administrações tributárias.

Os compradores e vendedores devem sempre informar o valor real da transação, guardar comprovantes de pagamento e preencher corretamente as declarações fiscais.

## O Cadastro Imobiliário Brasileiro será obrigatório?

O Cadastro Imobiliário Brasileiro está sendo implantado de maneira gradual. A Receita Federal está estabelecendo normas para ampliar o uso do identificador único dos imóveis e facilitar a integração entre sistemas públicos. A expectativa é que, com o tempo, essa integração se torne mais ampla, fortalecendo a fiscalização e aumentando a segurança jurídica das transações imobiliárias.

## Como evitar problemas com a Receita Federal

A melhor maneira de evitar autuações é ser completamente transparente durante todo o processo de negociação. Isso significa registrar corretamente o valor da compra e venda, guardar todos os documentos e cumprir as obrigações tributárias. Caso surjam dúvidas sobre impostos ou como declarar corretamente, a ajuda de um contador ou advogado especializado pode evitar problemas que resultem em multas.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

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