Taxa das blusinhas pode ser reimplementada em 2026
Recentemente, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, trouxe à tona uma questão que sempre gera polêmica: a tributação sobre compras internacionais de baixo valor. Ele comentou que o governo pode reavaliar a cobrança caso as remessas internacionais voltem a crescer desordenadamente. Essa declaração reacendeu o debate sobre as compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, o que deixou muitos consumidores preocupados.
A expressão “taxa das blusinhas” ficou famosa no Brasil para se referir a essa cobrança sobre compras internacionais de até US$ 50. O nome surgiu porque muitas pessoas costumavam importar roupas e acessórios baratos de sites internacionais. Essa medida ganhou destaque quando o governo começou a implementar mudanças na fiscalização das importações.
O governo alegou que a criação dessa cobrança tinha como objetivo regular um mercado que cresceu muito rapidamente. De acordo com Durigan, a isenção original era destinada a envios entre pessoas físicas, mas acabou sendo mal utilizada por empresas, levando a um aumento significativo nas compras internacionais.
Durante a pandemia, a situação se intensificou. De 2017 para cá, milhões de brasileiros começaram a comprar diretamente de plataformas estrangeiras, atraídos por preços mais acessíveis. Para aumentar o controle sobre essas transações, o governo lançou o programa Remessa Conforme. Esse sistema obriga empresas estrangeiras a se cadastrarem na Receita Federal e fornecerem informações detalhadas sobre os produtos que enviam ao Brasil.
O programa tem vários objetivos, como aumentar a fiscalização, reduzir fraudes, melhorar o rastreamento das encomendas e garantir o recolhimento de impostos. As empresas que participam conseguem agilizar a liberação de suas mercadorias na alfândega.
Recentemente, Durigan informou que a taxa foi zerada porque o governo percebeu uma queda no volume descontrolado das remessas e uma melhora no monitoramento. No entanto, ele deixou claro que a possibilidade de reintroduzir a cobrança permanece em aberto. Se o mercado apresentar um novo crescimento desordenado, o tema poderá voltar à discussão.
Nos últimos anos, as compras internacionais se tornaram um hábito entre os brasileiros. Plataformas como Shein, Shopee, AliExpress e Temu estão entre as preferidas, oferecendo preços baixos e uma variedade enorme de produtos, desde roupas e eletrônicos até itens de decoração.
Por outro lado, o comércio nacional tem pressionado o governo para tributar essas compras, alegando que isso criaria uma concorrência mais justa. A pressão vem de várias frentes, incluindo governadores e o Congresso, todos buscando um equilíbrio entre produtos importados e os vendidos localmente.
Além disso, o presidente Lula também demonstrou preocupação com a tributação sobre compras de baixo valor, pois ela afeta diretamente consumidores de baixa e média renda que costumam usar essas plataformas para economizar.
Se a taxa voltar a ser aplicada, os consumidores podem enfrentar preços mais altos e uma redução na vantagem que as compras internacionais oferecem em comparação com o varejo local. Isso pode levar a uma mudança no comportamento de consumo, com muitos optando por comprar menos ou buscando promoções nacionais.
Apesar de todas essas mudanças, as plataformas internacionais continuam sendo muito populares no Brasil, e a Receita Federal tem intensificado a fiscalização para evitar fraudes e melhorar a arrecadação de impostos. O debate sobre o tema é complexo, envolvendo questões de arrecadação, competitividade e o poder de compra da população.
O governo segue monitorando o setor, e as próximas semanas e meses podem trazer novas atualizações sobre as regras de compras internacionais, dependendo de como o mercado se comporta e da pressão dos setores econômicos.





