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Queda nas agressões após proibição de celular nas escolas

A pesquisa recente traz boas novidades sobre a convivência nas escolas brasileiras. Com a nova lei que restringe o uso de celulares durante o horário escolar, as mudanças têm sido notáveis. A redução de conflitos presenciais, a diminuição do cyberbullying e até mesmo a queda da ansiedade entre os alunos são alguns dos impactos positivos que foram observados. Essa tendência já é vista em outros países que também limitaram o uso de smartphones na escola.

Realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em parceria com o MEC, a pesquisa envolveu gestores de escolas públicas e privadas de todo o Brasil. Os resultados são animadores: 55% dos gestores notaram que as agressões físicas diminuíram, 88% relataram uma queda nos conflitos digitais e no cyberbullying, e 95% acreditam que a restrição ajudou na socialização entre os alunos. Além disso, 86% perceberam uma redução da ansiedade entre os estudantes e 92% das escolas já implementaram a nova legislação.

### O que mudou com a restrição dos celulares

De acordo com o MEC, os efeitos vão além da simples proibição dos aparelhos nas salas de aula. Os diretores notaram mudanças significativas no comportamento dos alunos, especialmente nas interações sociais.

#### Menos conflitos físicos

Um dos dados mais relevantes da pesquisa é a queda nas agressões físicas. A secretária de Educação Básica do MEC, Kátia Schweickardt, explica que muitos desentendimentos eram exacerbados por mensagens trocadas rapidamente. Com a limitação do uso dos celulares, essas discussões rápidas diminuíram, resultando em menos confrontos.

#### Redução do cyberbullying

Outro ponto positivo é a diminuição das agressões virtuais. Para 88% dos gestores, a restrição ajudou a reduzir casos de cyberbullying, ofensas em grupos de mensagens e conflitos originados nas redes sociais. Embora o problema ainda exista fora da escola, a medida parece ter limitado a propagação imediata desses conflitos.

#### Socialização presencial em alta

Um dos aspectos mais interessantes da pesquisa é o aumento da interação entre os alunos. Segundo os gestores, 95% notaram uma melhora na convivência, e 67% observaram um crescimento nas atividades manuais e artísticas. Os recreios, que antes eram dominados pelos smartphones, agora voltaram a ser espaços de jogos, conversas e brincadeiras.

#### Ansiedade em queda

A saúde mental dos alunos também foi um foco importante. Para 86% dos diretores, a restrição do uso de celulares contribuiu para a redução da ansiedade entre os estudantes. Embora se trate de uma percepção dos gestores, especialistas acreditam que limitar as distrações e a pressão das redes sociais pode ajudar a criar um ambiente escolar mais equilibrado.

### E a concentração nas aulas?

Embora a pesquisa não tenha medido diretamente o desempenho acadêmico, o MEC aponta que muitos gestores perceberam uma melhora na participação e no foco durante as atividades. Estudos internacionais corroboram essa percepção, com cerca de 80% dos estudantes afirmando que o uso de celular prejudica a concentração, especialmente em matérias como matemática.

### Desafios ainda existem

Apesar dos resultados positivos, a implementação da lei não é isenta de desafios. Muitas escolas enfrentam resistência por parte dos alunos, que ainda têm dificuldades em se adaptar à nova rotina. Além disso, a fiscalização do cumprimento das regras pode ser um entrave, já que 39% dos gestores mencionam problemas com o armazenamento seguro dos celulares, e em muitas escolas, os aparelhos continuam guardados nas mochilas dos alunos.

### O papel das famílias

Um ponto crucial destacado pelo MEC é a importância da participação das famílias. Para 67% dos gestores, estabelecer limites para o uso de telas fora da escola é fundamental para consolidar os resultados alcançados. A ideia é que restringir o uso apenas durante o horário escolar não é suficiente se os alunos continuam conectados fora desse período.

### Uma tendência mundial

Vale lembrar que essa restrição não é uma prática isolada no Brasil. De acordo com dados do MEC, mais da metade dos sistemas educacionais ao redor do mundo já implementaram políticas similares. O objetivo é criar um equilíbrio entre o uso da tecnologia, a aprendizagem e o bem-estar dos alunos, permitindo o uso pedagógico quando necessário.

Os primeiros resultados mostram que a restrição ao uso de celulares nas escolas trouxe benefícios percepcionados por muitos gestores. A redução de conflitos, a diminuição do cyberbullying e a melhora da convivência presencial são alguns dos avanços observados. No entanto, ainda há trabalho a ser feito, especialmente em relação à fiscalização e à participação das famílias. Com novas pesquisas a caminho, será possível entender melhor os impactos dessa medida no ambiente escolar e no desempenho dos alunos.

Italo Pastorini

Redator interno do portal Direito do Brasileiro.

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